Tratamento novo pode reduzir crises de enxaqueca pela metade

2 dez 2017

Uma nova terapia contra crises de enxaqueca, a primeira aprovada em 20 anos, é a nova promessa no tratamento da condição, segundo os especialistas.

De acordo com novos estudos, publicados no periódico científico New England Journal of Medicine, a droga, chamada Erenumab, é na verdade um dos anticorpos monoclonais, feitos em laboratório, que agem atacando a proteína do cérebro responsável pelos sintomas (CGRP), como as náuseas e as dores de cabeça intensas.

Em um dos testes com o medicamento produzido pela farmacêutica suíça Novartis, cerca de 50% dos voluntários tiveram a quantidade de crises de enxaqueca reduzida pela metade – contra 26% que receberam um placebo, o que explica o fluxo natural da condição.

Enquanto isso, o Fremanezumab, outro anticorpo fabricado pela americana Teva, teve o mesmo resultado em 41% dos pacientes analisados, contra 18% sem o mesmo tratamento.

O tratamento

Os voluntários receberam injeções dos medicamentos, anticorpos designados para bloquear um composto químico cerebral, o peptídeo relacionado ao gene de calcitonina (CGRP, na sigla em inglês), que funciona como uma defesa aos estímulos externos, causando uma leve inflamação, mas quando liberado em quantidades elevadas leva à enxaqueca.

O estudo envolvendo o Erenumab foi realizado em 955 pacientes, que receberam uma injeção mensal do medicamento, na coxa ou na barriga, ou uma versão placebo durante 24 semanas. Já o Fremanezumab foi testado em 1.130 pacientes.

Os participantes que receberam o tratamento tiveram, em média, três dias a menos de crise de enxaqueca a cada mês, quando comparados à tendência habitual dos episódios. Além disso, aqueles que receberam as injeções com o anticorpo também mostraram uma melhora na aptidão física durante o período de tratamento.

Alívio da enxaqueca

“Muitas vezes, a enxaqueca é trivializada como apenas uma dor de cabeça quando, na realidade, pode ser uma condição crônica, debilitante”, disse Simon Evans, diretor executivo da ONG britânica Migraine Action.

“Os efeitos podem durar horas e até dias, em muitos casos. Uma opção que pode prevenir a enxaqueca e que é bem aceita [pelo corpo científico] é, portanto, extremamente necessária e esperamos que isso marque o início de mudanças reais em como a condição é tratada e percebida”.

A condição

Os sintomas mais comuns da condição são dor de cabeça intensa, geralmente acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz ou som. De acordo com os especialistas, ela afeta uma em cada cinco mulheres e um em cada 15 homens. Metade dos pacientes tem algum familiar próximo que também sofre com a enxaqueca, o que sugere que seu desenvolvimento pode ter algum fator genético.

Ainda não existem medicamentos disponíveis que previnam ou curem a enxaqueca. No entanto, analgésicos mais fortes, como os triptanos, podem ser indicados para aliviar a dilatação dos vasos cerebrais, produzida pelo CGRP. O propranolol e outros betabloqueadores, medicamentos para tratamento da hipertensão, também podem ser indicados como medida preventiva, mas possuem efeitos colaterais e não são efetivos em todos os casos.

“O estudo mostra claramente que o bloqueio deste caminho neuronal [CGRP] pode reduzir o impacto da enxaqueca”, disse Peter Goadsby, professor de neurologia do King’s College London, líder de um dos ensaios clínicos. “Antes os pacientes recebiam tratamentos que na verdade são para outras doenças, mas agora podem ter uma terapia especificamente desenvolvida para a enxaqueca. Isso representa um passo incrivelmente importante para a compressão e tratamento da doença.”