Exercícios faciais rejuvenescem até três anos

11 jan 2018

Atire a primeira pedra quem não quer uma aparência mais jovem sem gastar dinheiro com produtos nem realizar intervenções estéticas. Parece um milagre? De acordo com um novo estudo, não é. Uma pesquisa, publicada recentemente no periódico científico JAMA Dermatology, mostrou que mulheres de meia-idade que seguiram uma rotina de exercícios faciais durante cinco meses conseguiram rejuvenescer até três anos.

Para testar a eficácia dos programas de exercícios faciais, popularizados nos últimos anos, um grupo de dermatologistas da Universidade Northwstern em Chicago, nos Estados Unidos realizou um experimento com 27 mulheres com idade entre 40 e 65 anos.

“Nós percebemos que havia todos esses programas comerciais – DVDs, vídeos instrutivos, até treinadores pessoais – que pretendiam ajudar as pessoas a exercitar seus rostos de maneira que os tornasse mais felizes, saudáveis e talvez com aparência mais jovem. Mas não estamos cientes de nenhuma prova científica específica mostrando que esses programas poderiam ser efetivos”, disse Murad Alam, vice coordenador de dermatologia da Universidade Northwstern e líder do estudo, ao jornal americano The New York Times.

Todas as participantes foram fotografadas no início do estudo e depois participaram de duas aulas de 90 minutos com Gary Sikorski, criador do programa Happy Face Yoga, um dos mais bem estabelecidos no mercado, para aprender a realizar os 32 exercícios propostos.

Rotina diária

Na primeira etapa, as participantes deveriam praticar uma sessão diária de exercícios, que demora cerca de 30 minutos, ao longo de oito semanas. Elas então foram fotografadas novamente e deveriam continuar com as sessões dia sim dia não, por mais 12 semanas, quando finalizaram o programa e foram fotografadas novamente.

Para avaliar os resultados, os pesquisadores pediram que dermatologistas que não estavam envolvidos no estudo nem conheciam as mulheres olhassem as fotos e classificassem a aparência de diversas características faciais a partir de uma escala numérica padrão, além de estimar a idade das protagonistas das fotos. Eles também pediram que as participantes dissessem como se sentiam no fim do estudo em relação à aparência das mesmas características faciais, segundo informações do jornal americano The New York Times.

Três anos mais jovem

Enquanto as mulheres estavam entusiasmadas, encontrando melhorias em quase todas as características faciais, a avalização dos médicos foi mais discreta. Eles notaram, por exemplo, melhorias significativas no volume da bochecha das mulheres, mas poucas mudanças notáveis em outras regiões da face e do pescoço.

Por outro lado, na hora de estimar a idade com base nas fotos tiradas após o programa, o número sugerido foi bem menor que a idade real. Quando olharam as imagens das mulheres antes do programa, a estimativa média de idade das participantes foi de 51 anos. Nas fotos após, esse número caiu para 48 anos. “A melhoria foi maior do que eu esperava” disse Alam.

A evolução da aparência de uma das participantes do estudo.

A evolução da aparência de uma das participantes do estudo. (Northwestern University Feinberg School of Medicine/Divulgação)

Limitações

No entanto, é preciso ressaltar que esse foi um estudo pequeno, curto e sem um grupo de controle. Outro problema é o fato de um terço das participantes terem desistido. Após 20 semanas, 11 participantes haviam abandonado o estudo e apenas 16 completaram o programa, o que sugere que é difícil de ser seguido.

“Seria interessante fazer outros estudos para determinar quais exercícios são mais benéficos”, disse Alam, e então sugerir que as pessoas se concentrem neles.

Exercícios versus envelhecimento facial

Segundo informações do The New York Times, nos últimos anos, surgiram diversos programas de exercícios faciais que afirmam ser capazes de reverter sinais visuais do envelhecimento da pele, como sulcos, rugas e flacidez. Tais programas, frequentemente anunciados como “lifting facial não cirúrgico” foram desenvolvidos por homens e mulheres auto-didatas e, até o recente estudo, apresentavam apenas relatos sobre seus efeitos benéficos.

Grande parte da flacidez facial ocorre porque a camada de gordura que constitui a base da pele do rosto afina com a idade. Na juventude, até os 20-25 anos, os componentes desse revestimento se encaixam como peças Lego, proporcionando grande parte da estrutura dos contornos dos nossos rostos. Mas, à medida que esses componentes mudam com a idade, suas conexões se afrouxam e a gravidade as puxa para baixo, deixando a faces murcha e a fisionomia caída.

A premissa básica dos exercícios faciais, de acordo com Sikorski, é que eles fornecem uma espécie de treinamento de resistência para os músculos faciais. Alguns desses exercícios são elaborados e envolvem o uso dos dedos para criar um pouco de resistência enquanto alguém sorri, franze o rosto ou manipula os músculos da bochecha, testa e pescoço de alguma maneira. Veja abaixo um vídeo (em inglês) com alguns dos exercícios propostos no programa:

 

Como qualquer outro tipo de treinamento de força, esses exercícios deveriam tornar os músculos maiores e mais fortes, o que, em teoria, preencheria os espaços abertos pelo envelhecimento, reduzindo as rugas e arredondando os contornos faciais. Embora o Happy Face Yoga tenha sido o método analisado no estudo, existem diversos outros programas de exercícios faciais para serem seguidos.

Portanto, embora o estudo tenha algumas restrições, a recomendação de Alam é: se você quer parecer mais jovem, contorcer e beliscar seu rosto é uma boa opção. Se não surtir efeito, pelo menos é de graça e não faz mal.