Lava Jato tenta impedir Gilmar Mendes de julgar Paulo Preto no STF

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Por Maurício Nogueira

O ex-senador tucano Aloysio Nunes (SP) teria feito contato direto com o  ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e discutido habeas corpus da defesa de Paulo Preto, ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S.A. de São Paulo (DERSA-SP), acusado de ser operador financeiro do PSDB, segundo o Ministério Publico Federal do Paraná (MPF-PR), informou a CBN há pouco.

Em documento, a Lava Jato sustenta que Nunes se aproveitou da relação próxima com o ministro da STF para retardar o andamento de processo contra o investigado. Está nas mãos da procurador-Geral da República,  Raquel Dodge, o documento apreendido no mês passado –inclusive conteúdo de ligações telefônicas e mensagens trocadas entre Nunes e Mendes.

No telefone celular de Nunes apreendido pela Lava Jato, os investigadores tiveram acesso a diálogos em que advogado de Nunes se refere a Gilmar Mendes como “nosso amigo”. Nunes era testemunha de defesa de Paulo Preto.

Segundo investigação, em 10 de fevereiro, foram cinco chamadas via celular para o ministro do celular de Nunes. E também há mensagens de texto na mesma data. Em uma delas o advogado de Paulo Preto se refere a Mendes como “nosso amigo”. Em resposta, Nunes afirma ter conversado com o ministro sobre um pedido de Paulo Preto no STF, mas completou que Mendes teria sido “vago” e “cauteloso”.

Em 13 de fevereiro, Gilmar deferiu um habeas corpus em favor de Paulo Preto. Após a notícia chegar à imprensa, no dia seguinte, Aloysio enviou nova mensagem a Raul Jungmann dizendo o seguinte: “nosso casuídico é foda!”. Casuídico é um sinônimo de advogado ou defensor. Jungmann responde em seguida “senhor de escravos”.

Com o documento, o MPF espera que Dodge apresente no STF o pedido de suspeição contra Mendes. Com o intuito de impedir que Mendes julgue qualquer processo referente tanto a Preto quanto a Nunes. Ambos investigados na fase de número 60 da Lava Jato paranaense.

Investigados

Paulo Preto, e o senador Aloysio são investigados por supostamente terem recebido vantagens indevidas da empreiteira Odebrecht por volta de 2006 e 2007. Os dois são amigos de longa datas. Em entrevistas, Aloysio já defendeu a competência de Paulo Preto como engenheiro.

Para a Lava Jato, o suposto operador do PSDB de São Paulo teria aberto contas na Suíça em nome do chamado “Grupo Nantes”. Por meio dessa conta, Preto teria requisitado um cartão de crédito em nome de Aloysio.

O cartão teria sido entregue em um hotel em Barcelona no mesmo período em que o ex-chanceler lá estava hospedado.  Nunes já negou que tenha recebido o cartão de crédito. Preto exerceu uma série de cargos públicos no governo Fernando Henrique e, posteriormente, no governo de São Paulo.

Na semana passada, Preto foi condenado a 27 anos de prisão por fraude a licitação e formação de cartel na Justiça Federal de São Paulo sob a acusação de ter atuado, em conjunto com as cinco principais empreiteiras do país, Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Correa e OAS, para que as cinco fossem beneficiadas nas concorrências de obras no estado.

Preto condenado

Preto foi condenado nesta quarta-feira (6) a 145 anos e oito meses de prisão por peculato (desvio de dinheiro público), associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema público nas obras do Rodoanel Sul, em São Paulo. É a segunda vez que ele recebe condenação em menos de uma semana.

A sentença foi dada pela juíza da 5ª Vara Criminal Federal Maria Isabel do Prado, que ainda condenou Tatiana Arana, uma das filhas de Paulo Vieira, a 24 anos e três meses de prisão. Um ex-funcionário da DERSA também foi condenado a 145 anos de prisão. Eles podem recorrer da decisão ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF).

Ele completa 70 anos nesta quinta (7) e, se não tivesse sido condenado, o tempo para os crimes prescreverem reduziria pela metade. O prazo das prescrições é estabelecido pelo artigo 109 do Código Penal.

Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, foi diretor da DERSA, empresa estatal paulista de construção e manutenção de rodovias, de 2005 a 2010, durante os governos de Geraldo Alckmin e José Serra, do PSDB.

Informes de envolvidos

Em nota, o ex-ministro Raul Jungmann informou que apenas passou o celular do ministro ao senador Aloysio Nunes.

“Meu papel nesse episódio se resume ao seguinte: o ex-ministro e ex-senador, meu colega de Congresso, Aloisio Nunes me pediu  um número de celular que o ministro Gilmar Mendes atendesse, pois não estava conseguindo. Eu informei-lhe o que dispunha. Em seguida indaguei se tinha conseguido falar. Ao que ele assentiu. Então perguntei “E?!”.E fiz uma frase irônica sobre o trato do ministro. E é isso”, afirmou Jungmann.

Já o gabinete de Mendes informou que o ministro não vai se pronunciar sobre o documento. Informou, também, que se manifestará no processo caso haja algum questionamento ou pedido de suspeição. Ainda de acordo com assessoria do ministro, a decisão que beneficiou Paulo Vieira de Souza foi derrubada pelo próprio ministro da semana passada diante de informações prestadas pela Justiça de São Paulo.

Enquanto a assessoria de Aloysio Nunes Ferreira afirmou que ele não vai se manifestar até se informar sobre os fatos. Com informações de O Globo.