Não basta dizer que vai fazer, tem que fazer

terça-feira, 1 janeiro, 2019 | 23:24

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Por Carlos Arouck

 

 

Vou começar meu texto com uma citação do título texto de Percival Puggina publicado por Rodrigo Constantino na Gazeto do Povo “ Eleger Bolsonaro Foi Bom, Mas não basta”. Concordo com tudo que foi escrito e replicado por Constantino. Complemento com frase que rege a lenda “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. E eu digo não basta dizer o que vai fazer, tem que fazer e além, parecer que faz.

Votei no Bolsonaro, fiz campanha para ele dentro de minhas possibilidades, militei ativamente nas ruas desde 2013 e essas são algumas das razões para eu ficar mais vigilante do que nunca. Amo meu país, lutei contra a corrupção como policial e cidadão, combati a socialização da sociedade, a censura à imprensa, defendi o voto impresso e o armamento civil, o abuso de autoridade e os desmandos do STF. Conheci de perto, como morador de Brasília, o apadrinhamento vergonhoso que os governos realizaram nas últimas décadas, aparelhando todos os níveis da administração pública.

A difícil tarefa nesse momento é mexer nessa ferida, principalmente agora que o nosso presidente eleito democraticamente por meio das grandes manifestações de brasileiros anônimos e patriotas, chegou ao poder. Porém, é importante que tal apadrinhamento não persista no governo Bolsonaro. Para exemplificar melhor, cito a aflição de funcionários da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. O presidente eleito cogita nomear Alexandro Carreiro, um amigo da família, para presidir a Apex-Brasil, responsável pelo fomento do comércio exterior brasileiro e dona de um orçamento da ordem de R$ 700 milhões.

O currículo de Carreiro revela uma vida profissional tímida. Foi assessor da Secretaria Nacional de Portos, ligada ao Ministério dos Transportes, nomeado em 2013, no governo de Dilma Rousseff. Mais conhecido como Alex Carreiro, o candidato aprovado pelo Ministro das Relações Exteriores é formado em Comunicação Social e pós-graduado em Gestão de Cidades e Mobilidade.
Foi, ainda, presidente do Patriotas, no Distrito Federal. De ex-estagiário do Sebrae, pode se transformar agora em Presidente da APEX, uma afronta a qualquer princípio relativo à meritocracia, tão defendida por Bolsonaro.

A indicação foi mal recebida pelo setor exportador e deixou boa parte do pessoal ligado à Apex revoltado. A missão da Apex é desenvolver a competitividade das empresas brasileiras, promovendo a internacionalização dos seus negócios e a atração de Investimentos Estrangeiros Diretos. Alex Carreiro ganhou um passaporte para conhecer o mundo sem sequer falar a língua inglesa, fazer turismo em classe executiva. Deixar o Alex como assessor da Secretaria Nacional de Portos, ligada ao Ministério dos Transportes, já seria um ganho enorme para ele. Acho que sua presença nesse setor se mostraria mais segura para o Brasil, em parte dada sua experiência profissional. Duvido que algum leitor já tenha ouvido falar dos feitos do nomeado. Pelo menos em Brasília, não vai causar um dano maior ao país, uma vez que a capital não tem portos. Vamos ficar de olho nas dezenas de aproveitadores que rodeiam nosso presidente e colocam em risco sua missão patriota.

Termino citando do Ayrton Senna; “Eu não tenho ídolos. Tenho admiração por trabalho, dedicação e competência”.

Estarei sempre vigilante

Policial federal, Carlos Arouck é formado em Direito e Administração de Empresas, instrutor de cursos na área de proteção, defesa e vigilância, consultor de cenários políticos e de segurança pública, membro ativo de grupos ligados aos movimentos de rua.


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