Polícia para quem precisa

quarta-feira, 27 junho, 2018 | 19:22

Por Carlos Arouck
O vídeo com cenas cruéis da execução de um policial, que está sendo compartilhado em vários grupos de WhatsApp e também no Facebook, tem chocado os que assistem aquela morte de forma tão violenta. A crueldade do vídeo pode ser um indício de se tratar de uma rixa entre facções. Não há como se precisar em que lugar do país a morte ocorre e nada confirma se houve realmente essa morte do policial. As dúvidas não significam que os ataques contra policiais sejam fakes.
A realidade é que o assassinato de policiais no Rio de Janeiro já virou uma rotina macabra. Com a consolidação do crime organizado no Rio,  formado por várias facções rivais, o esculacho e a morte não precisam mais ser gravados como demonstração de força para intimidar as diversas corporações policiais do Estado. Como todos a essa altura bem compreenderam, os bandidos simplesmente matam. Sem arrependimentos, nem qualquer temor. Não estão preocupados em dissuadir.
As facções criminosas caminham a “passos largos” não apenas em cidades como Rio e São Paulo, mas em outros Estados e precisam da intimidação para consolidar a conquista de seu território e poder. O “modus operandi” dessa barbárie não é o mesmo utilizado no Rio de Janeiro, que já atingiu mais de 60 mortes só neste ano de 2018. O ataque a policiais que se expande em outros entes da federação, sem dó nem piedade, pode necessitar de cenas como a do recém vídeo divulgado nas redes até a consolidação e intimidação de uma sociedade inteira. O resultado? Passar a ideia, bem sucedida na cidade carioca, de que nem a polícia consegue sobreviver à violência imposta pelos criminosos, e deixar bem claro que os cidadãos estão completamente desprotegidos.
Por que tanta gente sensata e preparada se mobiliza com o “drama” dos criminosos presos, mas é insensível ao drama de uma sociedade onde todos já foram assaltados e vivem com medo? Por que achamos que alguém ser assaltado, agredido, roubado de sua propriedade ou até morto, é justo e compreensível à luz da “justiça social” ? Nunca, jamais, em tempo algum, eu vi alguém defendendo ou elogiando a polícia sem restrições. Nunca ouvi alguém explicando que a polícia é necessária e que, na maior parte dos casos, cada sociedade tem a polícia que deseja ou merece. Os profissionais da segurança encontram-se, em grande parte, desmotivados e exaustos emocionalmente. Quando os erros de alguns se sobrepõem aos acertos de muitos é um sinal de que a população prefere criticar as corporações policiais que elogiar seus bons feitos.  Alguns chegam a comparar policiais a bandidos. Afinal, se tratamos a polícia como lixo, quem vai nos proteger ?
Término lamentando a morte de mais um policial federal morto no Rio de Janeiro.


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