Marcos Pacco: Escola do Futuro no lugar da retórica revolução da educação

quarta-feira, 15 agosto, 2018 | 21:45

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Por Josiel Ferreira

 

No lugar da retórica revolução da educação, o candidato a deputado Federal Marcos Pacco (Podemos) vem com tudo para disputar a cadeira na Câmara Federal com propostas estruturantes para Brasília e para o país, simples assim. E uma delas é a Escola do Futuro.

Pacco não fica na mesmice de dizer que é preciso isso ou aquilo. Simples e eficiente ao se comunicar, o professor de português há mais de 25 anos, que teve quase 30 mil votos na eleição de 2014, está preparado não só para se eleger, mas também para contribuir com ações propositivas.

Essa semana Pacco tomou posse na Câmara dos Deputados. Ele assume a cadeira deixada pelo deputado federal e candidato ao Palácio do Buriti Rogério Rosso (PSD).

Sabe aquele conteúdo que muitos eleitores buscam em seus candidatos e que, por muitas vezes, não encontram? Como, por exemplo, aquele velho discurso da revolução da educação que não saiu da retórica? O professor vai na contramão de discursos vazios.

Pacco se apresenta para dar respostas e combater essas e muitas outras mazelas que afligem o povo brasileiro, mas que muitos políticos não encaram com seriedade e propostas consistentes.

Convicto de suas bandeiras, abriu o verbo para falar de temas complexos como o aborto, e de suas principais propostas autodenominadas 3E. E, transparentemente, mostra como irá lidar com o engessado sistema político que deixa muita gente boa fora de combate.

 

Tudo Ok NotíciasO que motivou você, professor de português respeitado e bem-sucedido, a ingressar na política? Recentemente um cientista político colocou você um novo candidato a deputado federal para fazer diferente por Brasília, o que as pessoas precisam e querem. O que te motivou?

Professor Pacco – Duas coisas me motivaram a entrar na política. A primeira delas é a educação. A segunda é a proteção à criança. De todas as reformas necessárias, sem dúvida a mais importante é a reforma da educação.

No Congresso, há várias bancadas: a da bala, a do boi, a dos empresários, por exemplo, mas precisamos de verdade de uma bancada da Educação. Todo mundo sabe que nenhum país do mundo se desenvolve, promove Justiça Social, promove desenvolvimento sustentável para os seus habitantes sem uma educação de qualidade. A questão é que poucas pessoas defendem isso na prática, de maneira tangível, concreta. Eu sou professor há mais de 25 anos. Dei aula para praticamente todos os níveis. E posso afirmar: se há uma área atrasada no nosso país, essa área se chama Educação.

Nossa Educação é obsoleta, retrógrada, desinteressante. E não é culpa dos professores: é culpa de uma cultura e de um sistema falidos. Eu tenho 44 anos. Há 35 anos, eu estava na 3ª série, que hoje seria o 4º ano escolar. Naquela época, as músicas eram armazenadas num disco de vinil chamado LP e eram reproduzidas numa radiola; não havia MP3, MP4, música digital. Não havia computador no Brasil: havia máquina de datilografia. Fotografia e vídeo eram algo raro. Telefone era algo praticamente inacessível. Os aparelhos discados tinham um cadeado para a pessoa não fazer as ligações, já que eram caríssimas (risos). E, veja bem, tudo isso mudou, mas a escola continua a mesma de 35 anos atrás. Eu diria mais, a escola continua a mesma de séculos atrás no Brasil.

Observe a disposição da sala:  as cadeiras são do mesmo jeito, as carteiras do mesmo jeito, os livros didáticos do mesmo jeito. Eu digo que a maior evolução que algumas escolas públicas tiveram foi a mudança de um quadro de giz para um quadro de pincel. Isso é, simplesmente, um absurdo.

Nós precisamos de uma escola do futuro. Só que uma escola do futuro para HOJE. Porque o futuro não demora mais 5, 10 anos para chegar. O futuro agora chega, no máximo, em 6 meses. O jovem não se sente interessado em ir para a escola, porque, na verdade, a escola não está conectada com o mundo atual e com a necessidade das crianças e dos jovens. As crianças hoje podem aprender mais com o Google do que com o professor. E mais uma vez destaco: não é culpa do professor.

Observe também a questão da aparência interna e externa da escola. As escolas estão parecendo presídios. Muros altos, com arames farpados na parte superior, prédios obsoletos. Há escolas em que os docentes sequer têm um banheiro privativo. A escola não é um ambiente que estimula a criatividade e o bem-estar; não é um lugar que promove o indivíduo a um patamar melhor.

 

Tudo Ok NotíciasE quanto ao professor, desmotivado, sem condições mínimas para se tornar um estimulador dos anos? Como fica o docente na escola do futuro?

Professor Pacco – Nós temos várias nuances. A nuance do aluno, a do professor e a nuance do material, a nuance do ambiente. A nuance da forma de ensinar e aprender. Nós temos que mudar radicalmente tudo.  A escola do futuro é diferente na forma e no conteúdo.

Primeiro, esse conteúdo estático, essa forma de ensinar que mais parece um depósito bancário (abre-se uma conta – a cabeça do aluno – e se insere um depósito (uma matéria, um conteúdo); porém, diferentemente do depósito bancário, que sempre tem uma utilidade, o conhecimento que se deposita –  ou se quer depositar – na cabeça dos alunos, na maioria das vezes, é obsoleto ou desnecessário. Qualquer um de nós, adultos, pode comprovar que estudou uma série de temas que não tiveram utilidade alguma. Outra coisa: qualquer conhecimento hoje está a um clique, em qualquer smartphone. Agora, a escola em vez de aproveitar a tecnologia em sala de aula, introduzir o smartphone na dinâmica da aula, tem é proibido o uso do celular. Isso é uma contradição. Isso constrói uma profunda distância entre a realidade do aluno e a realidade da escola: parece pertencerem a planetas diferentes.

Os professores estão desmotivados porque, além da disparidade em relação aos salários de outros servidores de nível superior, encontram um ambiente muito ruim, não são admirados pelos alunos e até pela sociedade como um todo; sofrem com a perda da autoestima e da autoridade, não se sentem parte de um projeto de país, de um projeto de transformação social. A profissão de professor é, majoritariamente, uma profissão de vocacionados. Porém, no nosso sistema atual, mais de 50% dos docentes (segundo pesquisa recente do projeto Todos pela Educação) não recomendam aos jovens seguirem esse ofício. Isso é grave. Não existe educação de qualidade sem um professor bem pago, respeitado, atualizado, conectado com os constantes avanços do século XXI.

O professor da escola do futuro instiga o raciocínio, instiga a resolução de problemas simples e complexos, estimula a criatividade, a prática de artes e esportes; ele promove, de verdade, o desenvolvimento intelectual, social, emocional e intelectual do aluno. O professor do século XXI entende de liderança, gestão de pessoas, inteligência emocional, empreendedorismo, análise crítica de dados, tecnologia. Não tem a obrigação de ter a resposta para tudo, mas sabe como chegar à resposta. Veja bem, até hoje se exige que um professor de português, por exemplo, saiba o significado e a grafia de qualquer palavra; exige-se, em outras palavras, que seja um dicionário ambulante. Ora, existem 500 mil palavras no nosso idioma. É praticamente impossível um professor memorizar metade disso; mais do que impossível, desnecessário. Com poucos cliques no smartphone, pode-se conhecer a grafia e o significado de uma palavra. Veja outro exemplo: que coisa mais retrógrada aqueles vade mecum universitários. Os alunos já têm à sua disposição o vade mecum num simples aplicativo de celular. E como nossas leis mudam o tempo todo, o vade mecum digital pode ser atualizado numa velocidade impressionante. Em história, por exemplo, qualquer pessoa sabe quem foi e o que fez Napoleão Bonaparte; em Geografia, qual o tipo de vegetação predominante no Centro-Oeste. Basta clicar no Google. Então para que memorizar isso?

Na verdade, o professor hoje precisa ensinar o aluno a analisar as informações que já estão disponíveis no mundo físico ou digital. Ensinar a aprender e ensinar a analisar, porque hoje temos um excesso de informações. Uma criança com oito anos de idade já tem mais informações do que tinha um rei na Idade Média. Então, na escola do futuro, um professor não transmite conhecimento. Ele instiga e ensina a analisar conhecimento, a resolver problemas. Na escola do futuro, o aluno não leva mais uma mochila abarrotada de livros didáticos para a escola. Livros que às vezes estão desatualizados. Mas estão ali porque houve um lobby para que a editora tal vendesse aqueles livros; livros esses desconectados da realidade. Na escola do futuro o conhecimento é digital. O aluno tem várias possibilidades. Tem várias visões de um mesmo fato. E caso haja algum erro, pode ser rapidamente retificado.

 

Tudo Ok Notícias Tudo tem um início, estrutura, escolas qualificadas, profissionais bem remunerados e o que falta é isso. Há uma burocracia muito grande. Primeiro pela valorização do profissional, que é o professor, que é o mestre que nos ensina. A gente vê que o governo deixa a desejar. Como trabalhar isso, que é tão difícil, hoje?

Primeiro, a gente tem que pensar no Brasil a questão da meritocracia o mais rápido possível. Eu não posso fazer um concurso hoje, e ganhar para sempre igualmente a outros profissionais que, às vezes, não desempenham seu trabalho com a mesma qualidade e os mesmos resultados que eu produzo. Nós precisamos instituir para os professores o estímulo do mérito. Precisamos premiar os bons professores. Criar uma bolsa-mestre com valor considerável para os professores da educação básica que apresentarem práticas exitosas, resultados relevantes dos seus alunos em testes nacionais e internacionais. Premiar de que forma? Avaliar os resultados daquelas escolas.

Os professores cujas escolas apresentassem os melhores resultados nos testes receberiam bônus semestrais (um salário a mais, por exemplo). Só que quando se fala nisso, surge o protesto dos interesses corporativistas, dos sindicatos que acham que isso é incorreto, que é injusto. Não, nós temos que ter mérito.

 

É como um vendedor. Existem vários vendedores numa loja. Aqueles vendedores que vendem mais, que apresentam mais resultados, ganham mais que os outros vendedores. E isso é correto; isso é mérito.

Outra coisa: precisamos melhor o ambiente da escola. Estou falando de estrutura física mesmo. Compare os prédios que sediam os tribunais superiores, alguns fóruns ou sedes do ministério público com as nossas escolas! Aqueles são palácios, enquanto a maioria das escolas não passa de casebres em péssimo estado de conservação. O professor e o aluno merecem um ambiente bem diferente do que lhes é dado.

 

Tudo Ok NotíciasÉ possível defender suas convicções políticas em meio a uma política tão engessada? E como ter jogo de cintura necessário para buscar esse bom senso, sem sair do eixo proposto durante a campanha eleitoral de 2018? Como concretizar isso?

 

Professor Pacco – Na verdade, a política é a arte do diálogo, de promover o bem comum. O perfil, hoje, que as pessoas querem de um político, é um perfil conciliador, porém firme na defesa de causas. Então, eu tenho que encontrar o equilíbrio entre defender veementemente uma causa e ao mesmo tempo buscar o contraditório, a harmonia entre os diferentes. Isso é possível. Aliás, essa é a tônica da política: buscar harmonia no contraditório, sem sair das suas convicções, seus princípios valores. Vencer pelo argumento, e não pela força.

 

Tudo Ok Notícias – O tema agora é transparência. Muito se fala em transparência, mas o que se vê é pouca aplicação à vera. Transparência política aliada à coerência política são dois pilares fundamentais para se fazer política com “P” maiúsculo. Para você, Pacco, o que é política com “P” maiúsculo?

Professor Pacco – Política com “P” maiúsculo é aquela que pensa no outro e não em si mesmo. Quando sou eleito, sou eleito para representar as pessoas, sobretudo as que votaram em mim; não sou representante de mim. Uma das minhas ideias é ter um aplicativo chamado Meu Deputado Federal, em que as pessoas vão poder acompanhar meu mandato, inclusive influenciar no meu voto.

Aliás, eu tenho um compromisso com meus eleitores:  todos os meus votos na Câmara Federal serão previamente comunicados às pessoas e justificados. Eu vou justificar. Primeiro, eu vou pedir a opinião do meu eleitor. Segundo, vou votar, majoritariamente, com essa opinião.

E terceiro, eu vou justificar os meus votos. Votei tal projeto por causa disso, disso, disso. Isso estará nas minhas redes sociais. Estará no meu site e em todos os meios que eu tiver de divulgação. Estará lá, de forma clara, com fácil acesso às pessoas que acompanharem meu mandato.

Além disso, tenho outra forma de manter a transparência: continuarei ministrando aulas. O mandato permite que eu exerça profissão de professor. No contato com meus alunos, terei a percepção ou convicção de estar ou não atendendo aos anseios de quem me levou até lá.

 

Tudo Ok Notícias – Pacco, qual é a sua visão sobre candidatura avulsa?

Eu também sou defensor de candidaturas avulsas. Mais do que isso: sou a favor do voto facultativo. As pessoas não podem ser obrigadas a votar. É ou não é uma democracia o que temos? Porque os partidos, no Brasil, salvo raras exceções, se tornaram um balcão de negócios. É necessário que se permitam candidaturas avulsas, sim. Ninguém pode ser escravo de partido.

 

Tudo Ok Notícias Outro tema delicado em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF). É a questão da legalização do aborto. Marcos Pacco é a favor do aborto?

 

Eu sou a favor da vida. Jamais eu poderia ser a favor do aborto, porque eu não sou a favor da morte. Eu sou a favor da vida. Algumas pessoas colocam o seguinte argumento. Mas quantas mulheres morrendo em clínicas clandestinas! E eu coloco o argumento contrário. Quantas crianças morrendo, quantas crianças cuja possibilidade de uma vida maravilhosa estou tolhendo na filosofia, estudamos a axiologia: os valores devem estar numa escala. Será que a morte de crianças deva ser um valor para uma sociedade justa? É óbvio que não. Minha posição é clara. E não estou preocupado, neste caso, com quem pensa diferentemente. É questão de ética. É uma questão de princípio, é uma questão de vida.

Eu tenho certeza que uma pessoa em sã consciência jamais defenderia a morte. Em sã consciência, ninguém defenderia, por exemplo, que uma mãe matasse seu filho de três anos. E qual a diferença? É só a idade? É só a idade. Por quê? Se eu estou abortando, eu estou matando uma criança de três dias ou de três meses, ou de seis meses.

Então eu posso matar uma criança de três anos, cinco anos de idade? Claro que não. Então, eu sou a favor da vida. Eu sei que existem muitas questões, muitas circunstâncias. Às vezes uma gravidez indesejada. Mas, ainda assim, para mim, o princípio da vida se sobrepõe a qualquer outro princípio.

 

Tudo Ok Notícias – Falando sobre mulher, estamos vendo que o índice de feminicídio cresceu muito, não só em Brasília, mas no país como um todo. Com relação a maus tratos, principalmente, da mulher, você tem algum projeto voltado para a mulher contra a violência doméstica?

Precisamos endurecer, totalmente, a legislação de proteção à mulher. Fui criado em um ambiente, onde somos oito irmãos, desses seis são mulheres.

Eu tenho duas filhas, então, eu entendo bem todo o contexto em que as mulheres viveram e vivem em nosso país. É inadmissível qualquer atitude de violência contra qualquer pessoa, principalmente contra a mulher. Então, nós vamos pensar com um grupo de pessoas que estão na nossa campanha uma forma de não só endurecer a legislação, como garantir a proteção às mulheres

A lei da Maria da Penha é um avanço, mas a lei não conseguiu impedir que as mulheres fossem assassinadas; não conseguiu impedir a violência doméstica. Então, nós vamos precisar endurecer drasticamente essa legislação que puna os homens que cometam tal violência; normalmente, os algozes são os maridos, os namorados.

E, mais do que isso, mais do que punir, políticas públicas que impeçam essa eliminem a violência contra a mulher. Porque o grande desafio é esse, não é só punir quem é culpado é impedir que isso venha a acontecer.

 

Tudo Ok Notícias – O Podemos fez aliança com o PSD em Brasília, cabeça majoritária é deputado federal Rogério Rosso (PSD). Vamos ter os presidenciáveis, com o Álvaro Dias representando o Podemos e como é que fica essa aliança, porque havia uma aliança também do PSD para apoiar o Geraldo Alckmin (PSDB).  E pela costura, um eventual segundo turno o PSD, caso o PSDB vá ao segundo turno vai ter o apoio. É isso mesmo? O primeiro turno, aqui em Brasília seria para Álvaro Dias?

 

Nosso presidenciável, Álvaro Dias, diz algo que é interessante: O Brasil não tem que ir nem para esquerda nem para a direita. O Brasil tem que ir para a frente. A população não quer nem saber o que é esquerda e o que é direita.  A população quer é avançar. A população quer é resultado. Álvaro Dias, hoje, representa um país diferente. Não se pleiteou o apoio ao PSDB, muito pelo contrário, todos os partidos concordaram em Brasília em apoiar Álvaro Dias. O apoio é para valer. Todos vão ver no programa eleitoral, no palanque o único para Álvaro Dias. Então, a opção desses seis partidos da nossa coalizão em apoiar Álvaro Dias representa um grande avanço para nossa cidade. PPS, PSC, PSD, Solidariedade, Podemos e PRB estão de parabéns!

Tudo Ok Notícias – Rogério Rosso surge na ponta de cima das pesquisas e crescendo. Tem preferência para o segundo turno? Eliana Pedrosa (PPS), Alberto Fraga (DEM)?

(risos) Vamos ganhar no primeiro turno. (risos).

 

 

Continua na próxima edição…

 

 

 


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