Marli Rodrigues crê que Ibaneis tem compromisso de mudar a saúde no Distrito Federal. “O tempo vai dizer”, diz

quinta-feira, 31 janeiro, 2019 | 18:17

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Por Maurício Nogueira

A presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, está na expectativa de uma gestão positiva do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, até porque já teve um bom começo. Ela foi recebida pelo chefe do executivo do GDF, momento que em nenhuma oportunidade obteve no governo anterior. “Eu acho que o governador Ibaneis ele confia nos servidores públicos que fazem parte do quadro da Secretaria de Saúde, conhece a seriedade dos servidores, o nível de envolvimento dos servidores e ele tem todo esse compromisso de enfrentar e mudar a saúde do Distrito Federal. O tempo vai dizer”, frisa ela.

Marli entende que o setor da saúde precisa não só melhorar, mas o mais importante é mudar. E também não basta só avaliar que se trata de um problema de gestão. O que interessa, segundo ela, é encarar os chamados “gargalos”, e com eficácia dissolvê-los.

Em entrevista exclusiva ao Tudo Ok Notícias, a presidente do SindSaúde, aguarda anciosa pelo melhor desempenho por parte da Secretaria de Saúde e que realmente a sociedade possa finalmente ter um atendimento digno, com profissionais nos hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Além disso, ao mesmo tempo é imprescindível oferecer melhores de condições de trabalho a todos os envolvidos no importante setor carente de soluções imediatas.

Confira a entrevista de Marli Rodrigues ao Tudo Ok Notícias:

Tudo Ok Notícias: Qual a sua expectativa do que irá melhorar na saúde com o governo Ibaneis Rocha?

Marli Rodrigues: A expectativa, em relação ao governo Ibaneis, é a melhor possível. Mesmo porque nós viemos de um governo tão ruim, mas tão ruim que ficou assim sem ter como comparar como seria pior do que ele. Então, a nossa expectativa com o governo Ibaneis é que seja um governo justo com o povo, com os trabalhadores. Um governo que mantenha a porta do diálogo, um governo que não pratique a perseguição aos servidores, que não descrimine o povo, que trate todos com a mesma cidadania, com a mesma igualdade, que trate todo mundo com respeito, que seja um governo bom pagador, para todos os brasilienses, para todos os trabalhadores. As minhas expectativas, em relação ao governo Ibaneis, são as melhores possíveis. Agora, é lógico que o cenário que restou para o novo governador não é um cenário muito bom. Mas isso não significa que não haja saída. Eu acredito que sempre existe uma saída desde que essa saída seja feita coletivamente, com a participação de todos. Então, a minha expectativa ela é boa, mas eu tenho consciência de que não será fácil. Nunca foi.

Tudo OK Notícias: Você chegou a estar com o governador Ibaneis. Como foi a reunião?

Mali Rodrigues: Sim, nós estivemos com o governador, solicitamos uma reunião para ele, solicitamos ao gabinete, logo no segundo dia de governo e nós fomos atendidos, agora, nessa semana.

Tudo OK Notícias: O que você achou dessa nova atmosfera uma vez que, no governo anterior, não tinha nem espaço para chegar próximo ao Buriti?

Marli Rodrigues: É verdade. O governo anterior falava com quem queria. Solicitamos a reunião com ele. E nós queríamos a reunião com ele. E ele, prontamente, atendeu, naturalmente, dentro da sua possibilidade. Mas foi uma reunião que não foi tensionada. Tivemos uma pauta extensa de reivindicação. Ele discutiu, pacientemente, item a item. Também estiveram presentes todos os secretários dele, da Saúde, da Fazenda, assim, prontamente. Já havia muito tempo que o sindicato não se sentava com o governador, porque o governador é eleito. Ele é a pessoa que responde. E ele é a pessoa que conduz a harmonia entre os trabalhadores e o próprio estado. Então, foi boa a nossa reunião. Teve diálogo. Nós reivindicamos x e ganhamos no momento 30% do que nós reivindicamos, mas em todas as reivindicações nós tivemos respostas positivas. Esperamos avançar, nos próximos meses, em relação à incorporação de gratificação. O governo está em débito conosco já há três anos e meio. Em relação à contratação de servidores, em relação à ampliação de vagas de trabalho. Tudo isso é para poder atender os pacientes e também para praticar justiça com quem trabalha. O governador disse algo importantíssimo. Ele não considerava que fosse injusto qualquer tipo de reajuste para os servidores, porque ele considera que cuidar do servidor é um investimento. É algo que ele faz o investimento e retorna para a cidade em benefício para a população. Então, é um entendimento nobre do governador. A reunião, em si, ela foi bastante positiva, para os membros que lá estavam testemunhando tudo o que foi dito pelo governador, tudo o que foi indicado pelo sindicato. Não houve questionamento, absolutamente. Nenhum que pudesse trazer algum tipo de animosidade. A reunião foi muito boa. Espero que o governador, ele continue com essa prática. Porque todos os sindicatos precisam sentar com o governador do Distrito Federal e discutir com ele a pauta dos trabalhadores. Estamos muito carentes disso. É algo que estava faltando e algo que vem em um momento muito bom.

Tudo OK Notícias – Em relação ao Instituto Hospital de Base, qual é a sua expectativa? Acha que há alguma coisa a ser melhorada nesse sistema de gestão?

Marli Rodrigues – Olha, na reunião, os questionadores do Instituto, ninguém falou nada. Falou, absolutamente, nada.  Em relação ao Instituto Hospital de Base, tudo começou quando se pacificou lá no Supremo Tribunal a questão de ser permitida a terceirização da atividade meio, da atividade fim em toda a saúde, educação e segurança. Ali, está a grande perda dos trabalhadores. Hoje, nós vamos trabalhar com a realidade. A realidade que está colocada é que o Instituto Hospital de Base foi aprovado pela Câmara Distrital. E o movimento que tinha que se fazer, na época, nós fizemos, fizemos o combate. Mas, aprovou-se no governo Rollemberg o modelo Instituto Hospital de Base e foi aprovado na Câmara Distrital, com a Câmara lotada. Então, o que tinha que se fazer naquela época se fez. Hoje, é uma realidade. Se essa realidade vai dar certo, ou não vai depender da gestão. É uma provação que nós vamos ter que passar. Vamos ter que passar até mesmo para muitas máscaras caírem, muitas pessoas que são contra o modelo, na verdade estão dentro do modelo e não têm a coragem de assumir isso. Tanto é que algum movimento começou e ficou sem ter para aonde ir. Fizeram ali e ficou uma coisa assim meio que …, né? No meio do caminho… O Instituto Hospital de Base, ele é uma realidade. Vamos ter que passar por essa provação. E eu acho que a saúde como todo mundo tem a confiança, ela precisa mudar. Porque falar que vai melhorar ainda é muito pouco. Precisamos mudar a saúde. É impossível você viver na Capital Federal sabendo que nós somos o segundo estado da federação que tem a pior oferta de leitos públicos de UTI. Lideramos o ranking nacional. Somos os que mais alugam leito privado. Alguma coisa está errada. Alguém dormiu. Não sei se foi o governo. Não sei se foi a Justiça. Quem foi que dormiu. Mas, é inacreditável você ter o orçamento do tamanho que tem o Distrito Federal para a Saúde você ter enormes, hospitais gigantescos que nós temos e você não ter uma oferta de UTI que esteja dentro do padrão, que é de 1,5 a 3, temos 0,94 de atendimento a leito público. E desse 0,4,  10% está fechado por falta de recursos humanos. Ora, a leitura está feita, por que nós alugamos tanto leito privado, por que não se abre os leitos públicos? Por que não há esse entendimento. Por que nós perdemos 1.260 pessoas no ano de 2016 e 2017, todos aguardando UTI com a decisão de lei e morreram fora da UTI? Ora, será que iriam morrer mesmo. E se fossem morrer, não poderiam ter morrido com dignidade. A dignidade foi negada ao cidadão na Capital Federal. E, como assim, dizer que vai melhorar a saúde é pouco. Nosso povo está machucado, está ferido, essa situação de abandono da saúde não é boa para ninguém. Ela não alimenta ninguém que tenha compromisso com a vida, não alimenta.

Então essa história de melhorar para mim não existe. A saúde precisa mudar. Precisa ser redesenhada e as dificuldades precisam ser enfrentadas olhando olho no olho e desfazendo as coisas erradas que foram feitas. E desmistificando determinadas coias e com novos modelos de gestão. Precisamos passar por algum tipo de renovação. Porque você só consegue mudar, quando você renova. Não é possível que, no governo Agnelo, entraram para a Secretaria de Saúde mais de 16 mil servidores. E a melhora não foi sentida na ponta. Temos servidores de excelência, setor de excelência na Secretaria de Saúde. Temos pessoas comprometidas, mas fomos abatidos em pleno voo pela falta de gestão, pela falta de condições de trabalho. Tanto é que a categoria ela está quase toda adoecida. Isso é grave. Então, a saúde não precisa melhorar, ela precisa mudar, ser redesenhada. Esse é o desafio que está sendo colocado aí para o novo governo. E, se depender dos servidores públicos da saúde essa situação, ela vai mudar.

Tudo Ok Notícias – O governador decretou estado de emergência para os primeiros socorros. Isso vai resolver, ou é uma estratégia que vai dar certo. Qual a sua opinião?

Marli Rodrigues – O estado de emergência ele não se trata de uma estratégia. Ele é um dispositivo que ele precisa acionar quando as coisas necessitam. Se ele foi acionado pelas autoridades competentes é porque, de fato, ele é necessário. Ele não faz parte de uma estratégia. O estado de emergência é uma necessidade. Agora, eu acredito que a vontade existe dos profissionais de saúde, daqueles que têm grande compromisso com a saúde é que o estado de emergência não seja uma regra. O estado de emergência é uma exceção. Então o governador ele, por diversas vezes, tem feito essa fala de que não quer ficar os quatro anos em estado de emergência, quer ficar alguns meses, até ter a estratégia de tratar a saúde. Temos, hoje, várias UPAs fechadas, vários prontos socorros que não têm condições de atender a porta. Isso é um absurdo. O paciente chega com dor, passando mal, ele está morrendo e não tem atendimento. Nós temos que ter esse atendimento de emergência. O governo anterior focou tanto na estratégia da saúde da família e esqueceu que a população precisa hospitalizada, precisa se operada, precisa ser atendida, precisa ser atendida de manhã, à tarde e à noite. A hora que você procura o pronto socorro ele tem que atender. Tem que atender. E essa assistência o governo não pode negar.

Tudo Ok Notícias – Para o cidadão entender, por que faltam médicos nos hospitais e UPAs. Qual é o maior fator para que não tenham médicos suficientes?

Marli Rodrigues – Olha, a grande questão que todo mundo fala é a falta de gestão. Eu vou um pouco mais além. Eu acho que os problemas da Secretaria da Saúde nunca foram enfrentados frente à frente, com a coragem que precisam ser enfrentados. A verdade, ela nunca foi dita. Quando você fala que é falta de gestão, isso é muito genérico. Não se está dizendo muita coisa. Vamos ver se o governo vai enfrentar o grande problema que a saúde tem na sua gestão. Se o governo enfrentar o grande problema e conseguir entender que o servidor público precisa de condições de trabalho para ele ser cobrado, que a população tem que ser atendida, porque o ser humano ele é digno de ser atendido. Ele tem que ter a saúde como algo que não é um favor, que é um direito dele. Eu acredito que é enfrentando os problemas e resolvendo os problemas e do jeito que têm de ser resolvidos. Eu acho que foi dado muito jeitinho, durante todos os governos, e a coisa, ela precisa ser enfrentada frente à frente. Vamos ver, se eles vão ter essa coragem de enfrentar os problemas.

Tudo OK Notícias – E você sentiu que o governador Ibaneis tem essa pegada de encarar esses problemas e partir para a solução, ou não?

Marli Rodrigues – Eu acho que o governador Ibaneis ele confia nos servidores públicos que fazem parte do quadro da Secretaria de Saúde, conhece a seriedade dos servidores, o nível de envolvimento dos servidores e ele tem todo esse compromisso de enfrentar e mudar a saúde do Distrito Federal. O tempo vai dizer.


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