Movimentos culturais em Brasília, em apoio ao candidato Ibaneis Rocha

sexta-feira, 26 outubro, 2018 | 19:21

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Por Josiel Ferreira
A cultura no Distrito Federal amarga o esquecimento nos últimos três anos. Artistas e representantes de agremiações lutam para manter as portas abertas, em meio a dívidas e falta de investimento.
A gestão de Rodrigo Rollemberg reduziu a quantidade de recursos destinados à cultura no Distrito Federal. Em seu plano de governo registrado no TSE em 2014, prometeu “ampliar os recursos para a cultura”. Rollemberg, por sua vez, foi no sentido oposto, se comparada à gestão anterior do petista Agnelo Queiroz.
Em reunião, com cerca de 200 pessoas do segmento cultural, sob orientação do coordenador geral da campanha de Ibaneis Rocha (MDB), Fernando Leite, estavam presentes Withman Castro e Fernando Chaves para colher as demandas do setor produtivo cultural e escolher um representante junto ao novo governo do DF, caso, Ibaneis seja eleito.
Em entrevista ao Tudo Ok Notícias, o presidente da União das Escolas de Samba e Blocos de Enredo do Distrito Federal (Uniesbe), Geomar Leite, conhecido como “Pará”, destaca a falta do comprometimento por parte do governo do DF. “Os músicos, os artistas da cidade precisam ter condições de levar para casa seu sustento com seu trabalho”, ressaltou Pará. Também participaram da roda de conversa José Carlos Rosa e Valternei Serafim de Souza e Alex Theiss e DJ Jamaika com contribuições para o melhor tratamento da cultura no Distrito Federal.
Tudo OK Notícias – Como presidente da União das Escolas de Samba e Blocos de Enredo do DF, qual o plano de cultura que o senhor vai apresentar para o novo governo de Brasília?
Geomar Leite [Pará] – É um plano de cultura de políticas públicas direcionadas para que a cultura seja fomentada com união. Precisamos fazer com que a Cultua seja atendida em todos os seus segmentos. Eu até colocaria “Arte por Toda a Parte”. Precisamos fazer com que decentralizemos a Cultura do Plano Piloto e levemos para as cidades satélites. Isso que acabou, nesses últimos quatro anos. Precisamos fazer com que o Distrito Federal volte a ter cultura para o povo que realmente necessita. E que os músicos, os artistas da cidade possam ter condições de levar o seu sustento com o seu trabalho. Acho que é isso que está faltando. Nesses quatro anos, os artistas passaram muitas necessidades sem explicação. Ou seja, precisamos voltar a fazer com que o artista da cidade seja novamente respeitado.
Tudo OK Notícias – Na apresentação do plano da Cultura foi dito em fazer uma arena para a Cultura. Como seria essa arena?
Geomar Leite [Pará] – Essa arena custaria em torno de R$ 10 milhões. Já temos o local, no eixo Taguatinga – Ceilândia – Samambaia. Teremos uma arena multiuso, onde serão realizados grandes eventos, seminários, o Carnaval, os concursos de quadrilhas. Além disso, um espaço para oficinas profissionalizantes funcionando durante todo o ano. Esse espaço seria para que não precisássemos mais gastar todo ano R$ 2 milhões, R$ 4 milhões, R$ 5 milhões com estrutura para fazer o desfile das escolas de samba. Teríamos um custo de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões, que isso seria definitivo.  Só teríamos necessidade de aportar recurso pecuniário para que as escolas pudessem confeccionar suas fantasias para apresentação na avenida.
Buscando, ainda, os empresários da cidade, a iniciativa privada, para que possam entrar através do FAC e da LIC principalmente, que é a Lei de Incentivo à Cultura. O empresário pode dar a sua carta de contribuição e as escolas de samba e outros segmentos culturais poderão também buscar recursos junto à LIC, e fazer a cultura pulsar, realmente, no Distrito Federal.
Tudo Ok Notícias – Como envolver a comunidade, os empresários e governo nesse plano de cultura?
Geomar Leite [Pará] – O governo, investindo como parceiro da cultura, poderia ajudar na parceria com os empresários. Assim teríamos um apoio maior para a cultura. Vejo necessário criar outro projeto para que liberássemos áreas para as escolas de samba poderem inserir a sua comunidade dentro da escola. Ou seja, as escolas de samba podem ser o local de adesão da comunidade, assim a comunidade estará inserida nas cidades satélites. Temos o Pró-DF Cultural – a ideia é que todo o segmento da cultura que, realmente, necessite de um espaço para trazer a sua comunidade, que este seja definido pelo governo que está entrando. Acredito muito no advogado Ibaneis e, principalmente, em sua vitória.
Tudo Ok Notícias – Hoje, todo segmento da cultura reclama do atual governo. Na sua visão, o que faltou ao governo Rollemberg na cultura?
Geomar Leite [Pará] – Faltou usar os recursos de fato e de direito que são indicados para a cultura, como o FAC e a LIC. A dificuldade maior que eu vejo foi a falta de compromisso para com o movimento cultural do distrito federal como um todo. Não só com as escolas de samba, a cultura popular, a cultura como um todo ela foi esquecida nesses quatro anos do mandato do Rollemberg. Agora, a LOC (Lei Orgânica da Cultura), que está chegando para ver se a gente consegue melhorar essa situação para o próximo governo.
Tudo Ok Notícias – O governo de Rollemberg alega que pegou um rombo no GDF. Isso também não atrapalhou?
Geomar Leite [Pará] – Nada não, em nenhum momento foram-nos colocadas as contas. Primeiro, o que nós tínhamos, inicialmente, era que teríamos um investimento maciço, na cultura. Inclusive, no segmento do qual eu faço parte da União das Escolas de Samba de Brasília. Tivemos dele, a palavra e a garantia de que faríamos os melhores carnavais de Brasília. Então, nós acreditamos naquele momento e ficamos quatro anos a ver navios. E, aí, imaginamos naquele momento que seria uma retaliação às escolas de samba. Mas, percebemos depois que todo o segmento cultural ficou prejudicado. Só do FAC foram R$ 40 milhões a R$ 50 milhões, que na verdade é usado muito pouco desses recursos. Nós tivemos R$ 68 milhões. no ano passado, e foram usados R$ 38 milhões. O resto volta para o cofre e não é revertido realmente para aquilo que o FAC foi criado, para fazer cultura no Distrito Federal.
Tudo Ok Notícias – Em algum momento vocês receberam alguma verba em 2018?
Geomar Leite [Pará] – Para o nosso segmento, para o desfile das escolas de samba, não. Fizemos uma participação em um evento com as agremiações do grupo especial. Fizemos uma participação especial esse ano, no dia 2 de fevereiro, uma semana antes do Carnaval. Ou seja, uma participação com verbas de R$ 100 mil. Vale lembrar, que existe verba específica de R$ 6 milhões a cada ano. Ela vem dentro do orçamento para fomentar o carnaval e esse dinheiro não foi usado. Fui, por várias vezes, à Câmara Legislativa. Busquei emendas parlamentares para que esses desfiles pudessem retornar, pudessem acontecer, já que acontecem há mais de 50 anos no Distrito Federal. Inclusive a pedido dele [Rollemberg]. Consegui R$ 7,5 milhões, que dariam e sobrariam para colocar na estrutura. E ele [Rollemberg], simplesmente, disse que não poderia fazer. Então, faltou força de vontade.
Tudo Ok Notícias – A rádio Cultura tem ajudado a divulgar os artistas da cidade?
José Carlos Rosa – A rádio Cultura não tem desempenhado o papel dela. Ela não está ajudando. O que ela tem feito? Ela não divulga os artistas da cidade, as bandas, a cultura. O governador Rollemberg deixou largada às traças e sucateada. Hoje, a pessoa que cuida da rádio Cultura não é um profissional da área. É importante fazer uma parceria com as rádios comunitárias do DF. Aí, sim, tem como ajudar nossos músicos, as bandas e toda cultura de Brasília.
Tudo Ok Notícias – Qual foi a falha do governador em relação aos artistas Gospel?
Valternei Serafim de Souza – Rollemberg falhou quando tirou da programação ( da rádio Cultura) as atividades do calendário de festas o palco de artistas nacionais e regionais gospel. Foi quando ele começou a tirar dentro da programação das atividades do calendário de festas, o palco gospel na apresentação de artistas nacionais e regionais quando se apresentavam com frequência. Diminuiu drasticamente. Há quatro anos que o aniversário de Brasília não tem uma atividade no segmento da família evangélica e católica, que iam para a Esplanada para ver seus artistas. Então é uma falha e não teve mais. Tanto os artistas nacionais e regionais precisam ser valorizados. E preciso investir nos artistas regionais, acredito que é valido e necessário para fomentar o artista para que ele tenha portfólio para o seu crescimento.
Tudo Ok Notícias – Você votaria em Rodrigo Rollemberg?
Valternei Serafim de Souza – Não. Precisamos de mudança. Ele teve um tempo hábil para fazer as mudanças e não o fez.
Tudo Ok Noticías –  A cultura vem sofrendo com a falta de investimento durante a gestão de Rollemberg. O governador honrou com a palavra na área da cultura?
Alex Theiss – Na verdade a situação vai muito mais além. Faltou vontade. As pessoas que estavam à frente da pasta da cultura deixaram a desejar.
Tudo Ok Notícias –  As indicações políticas para secretaria de cultura atrapalharam?
Alex Theiss – Total. Faltou vontade da equipe de Rollemberg. Toda escolha tem um preço, talvez ele esteja pagando esse preço. Na secretaria tem pessoas técnicas, mas a maioria não entende e falta conhecimento. Então, reflete nos artistas e chega até a comunidade em geral.
Tudo Ok Notícias – Como você sobrevive da cultura?
Alex Theiss – Chega a ser uma covardia do governo. Sou músico. O que me faz viver é a vontade de estar no palco. O que mais entristece um artista é falta de perspectiva. Quando tem o incentivo, você faz melhor e com qualidade. Tenho um trabalho social com jovens – festival de música dentro das escolas entre 13 anos e 16 anos. Um trabalho autoral, total gratuito, mas tem um custo. O apoio do governo seria ótimo.
Tudo Ok Notícias – Como levar cultura até a periferia sem recursos?
DJ Jamaika – Na realidade temos que fazer mágica. Na verdade, é muito difícil sobreviver da cultura. Fazer cultura é uma coisa, sobreviver dela é algo muito louco, mas faço. Sobrevivo do Rap, Hip Hop e das minhas produções. Dentro disso, consigo pagar minhas contas e viver uma vida suave. Não é maravilhosa, mas é suave. A cultura a gente faz, pois ela está no sangue, não faço por conta do dinheiro, o dinheiro é consequência do trabalho que agente desenvolve. A gente se vira para fomentar a cultura de todas as formas. Na realidade a coisa se prostituiu demais. É um verdadeiro toma lá, dá cá. Aí, a cultura se envolveu demais com o governo.
As políticas públicas direcionadas para cultura não foram domadas. Foi um momento em que umas pessoas se apropriaram da cultura, da forma de fazer cultura. Criaram uma forma de fazer isso e quem quiser entrar entra, esse foi o formato que está lá. Hoje, temos a grande oportunidade de mudar, com a entrada do Dr. Ibaneis.
Tudo Ok Notícias- Você é reconhecido pelo seu trabalho e saiu candidato a deputado distrital. Por que?
DJ Jamaika – A questão de entrar para política, não é um sonho, e sim uma necessidade. Moro no Sol Nascente. Hoje chegou asfalto na porta da minha casa. Estamos lá mais de 20 anos. Existe uma necessidade, os morados necessitam. Só foi feito agora, essa verba que foi destinada para o Sol Nascente, já estava liberada quase 15 anos. Eles sabem fazer o jogo malvado. Mas o povo está ligado e sabe muito bem em quem votar. Basta ver as pesquisas, que Ibaneis está em primeiro lugar.
Tudo Ok Notícias – Por que Ibaneis?
DJ Jamaika – Por questão de mudança, tem uma fala forte. Ele é muito decisivo. Nunca tivemos um momento louco desse do DF, com Ibaneis e Bolsonaro. A Casa está bagunçada, eles são as soluções para arrumar.


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