Eleição suplementar de Tocantins e a renovação política

quarta-feira, 6 junho, 2018 | 08:05

A eleição suplementar para Governador do estado de Tocantins teve seu primeiro turno neste último domingo dia 03 de Junho. O governador anterior teve seu mandato cassado por questões relacionadas à compra de votos. Aliás, sobre essa forma de fazer política, deixo aqui o link de um texto que escrevi a respeito: https://coroneljean.blogspot.com/2018/03/participar-ou-lamentar.html. No entanto, minhas observações hoje são um pouquinho diversas daquela abordagem mas ainda dentro do tema.
Do total de 1.018.329 eleitores aptos a votar em todo o estado, um total de 306.877 eleitores (30,14%) se absteve de votar. Além disso, os votos nulos somaram 121.877 (17,13%) e os brancos 14.660 (2.06%), totalizando, pelas minhas contas, 49,33% de eleitores que não quiseram participar ou não viram, em nenhum dos candidatos postulantes, qualquer atrativo que os fizesse escolher algum deles.
Veja, nós estamos falando de praticamente metade de todo o eleitorado. O que na minha modesta visão carrega em si várias informações que podemos retirar disso. A mais óbvia, é a completa insatisfação da população com a Política, na expressão mais abrangente da palavra, incluindo aí os próprios políticos, os partidos e mesmo os motivos que levaram a uma nova eleição a pouco mais de seis meses de se encerrar o mandato atual. Que Justiça é essa que demora quase um mandato inteiro pra decidir que aqueles que ganharam o pleito não deveriam estar ali desde o início. Nenhum cidadão aceita mais isso.
Outro ponto a observar e que preocupa bem mais, é o que se pode esperar da próxima eleição, e agora estamos falando de todos os estados e da Presidência da República. Seguindo o mesmo padrão, estaremos diante de um quadro em que metade da população brasileira pode definir os rumos de todo o país. Você pode até achar que minha previsão é muito pessimista, mas não pode negar que é plausível diante de tudo que temos visto e ouvido as pessoas falarem da Política.
Fica claro, de qualquer maneira, que existe uma grave crise de representatividade no país. E mais grave ainda, como consequência disso parece que os eleitores sequer querem se dar ao trabalho de mudar os atuais governantes. Como reclamar depois que nada mudou? Não tem como querer que as coisas sejam diferentes se não mudamos nosso comportamento.
Diferente dos atuais ocupantes de cargos eletivos que já são conhecidos e possuem a estrutura dos seus cargos para lhes ajudar, os novos candidatos, além de terem que se fazer conhecer, tem a árdua missão de convencer o eleitor a comparecer às urnas para votar.
A verdade é que estamos diante de um paradoxo, uma contradição terrível: a insatisfação da população com a Política pode fazer, em última análise, que nada mude e por consequência direta, que a renovação que tanto se espera não aconteça. Pense nisso. Se queremos mudança temos que mudar. Comparecer às urnas é um passo fundamental para isso.
Coronel JEAN


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