Participar ou lamentar

domingo, 4 março, 2018 | 08:09

Hoje quero falar da realidade que tenho visto em minha pequena caminhada de cinco meses como pré-candidato a Deputado Distrital. Já adianto: tudo está como sempre foi e, se muita coisa não mudar até o dia da eleição, tudo permanecerá exatamente como está, pelos próximos quatro anos.
Enquanto nós, auto-intitulados “politicamente esclarecidos”,  nos indignamos nos grupos de Whatsapp e nas redes sócias mas nos negamos a participar da política, está sendo montada nesse mesmo instante uma estrutura imensa nas cidades de Brasília para arregimentar milhares de votos e tudo permanecer como está ou mesmo piorar no cenário político de nossa capital.
São estruturas baseadas em cargos distribuídos a cabos eleitorais em troca de apoio, gente trabalhando em empresas de diversos ramos cujos parentes são cooptados a fazer campanha e tantos outros métodos, até mais perversos, de se conseguir votos que são quase impossíveis de serem claramente detectados, mas que existem e determinam quem será eleito ou não.
Nesses locais, por necessidade de auxílio público ou ainda, na expectativa de ter alguém a quem recorrer num próximo e futuro governo, os pré-candidatos com dinheiro ou aqueles já eleitos se estabelecem fortemente com um tipo de acordo tácito que conhecemos dos livros de política e que vem de longa data. Quem tiver um pouquinho mais de curiosidade procure um resumo na internet do livro “Coronelismo, enxada e voto” de Victor Nunes Leal, e vocês vão ver de quando vem esse nosso jeito de fazer política no Brasil.
Nossos meios de comunicação têm limitações financeiras que os impedem de dar espaço e voz a gente nova ou também já foram de alguma forma cooptados pelo esquema e trabalham no mesmo sentido da velha política que eles mesmos condenam.
Além disso, existe uma dicotomia, uma separação entre dois discursos que poderiam andar juntos mas que seguem separados há anos em nossa capital: o daqueles que são realizadores mas que respondem a problemas judiciais por questões éticas ocorridas em algum momento de sua carreira política e aqueles que têm a bandeira da ética como discurso mas que não possuem realizações em quantidade palpável para serem aclamados pela sociedade.
E nessa guerra injusta, mas real, só vejo uma forma de mudar a história futura de nossa cidade: o uso massivo da internet como meio de escolha e de discussão política, afinal ainda é possível acreditar que nosso voto é secreto e que, destarte todas as forças contrárias, é pessoal e intransferível. Ninguém é dono do voto de ninguém.
Mas quem de nós está disposto a comprar essa briga? Quem tem coragem de se posicionar? Quantos de nós em seus encontros sociais têm condições de defender um pretenso candidato e empenhar esforços em ajudar a divulgar seu nome?
Assim, a verdade é que somos mestres em apontar o dedo e culpar os outros mas incapazes de vermos nossas próprias omissões; e sem nada mudarmos em nosso comportamento, tudo permanecerá da mesma forma. Colhemos frutos da árvore que plantamos, não há outra forma. Depois não haverá como reclamar pois serão, no mínimo, mais quatro anos de lamentos.
Coronel Jean
@CoronelJean190


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