REVOLUÇÃO URINAL

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Miguezim de Princesa

I

Mao Tsé Tung fez na China

Revolução Cultural;

Tentaram fazer na Rússia

Revolução social;

Querem fazer no Brasil

Revolução urinal.

II

Em vez de pegar em arma,

A esquerda dá sinal

De que vai subverter

Por meio do bacanal:

Dispara tiro de urina

No meio do carnaval.

III

Um artista estrangeiro,

Com o cabelo sem lavar

Já fazia cinco meses,

Quase perto de azedar,

Abaixou-se na avenida,

Pediu pro outro urinar.

IV

Foi uma confusão danada,

Com o mijo a borbulhar:

Correu do meio do cabelo

Um pediculus capilar

Que, se não fosse a reforma,

Já ia se aposentar.

V

Bolsonaro, revoltado

Com aquela depravação,

Divulgou pelo Twitter,

Em tom de reprovação,

E os mijões reagiram

Pedindo a deposição.

VI

– É uma obscenidade

Da parte do presidente! -,

Disse o líder do PT

De lá do Buraco Quente.

– A nossa somente obrava,

Mas era perto da gente.

VII

Disse um cara da direita,

Ajeitando o bacamarte:

– Dizem que é obsceno,

Mostrado da nossa parte;

Mas a esquerda mijando

É uma obra de arte.

VIII

Começa a mobilização

Com aura de “heroísmo”:

Zé Mijão da Guariroba,

Que é avesso ao civismo,

Já convocou um “Mijaço

De luta contra o fascismo”.

IX

Já fizeram até uma música

Que embala a revolução,

Que é caminhando e mijando

E dizendo “Ele não”,

Para ver se o povo esquece

Quem foi que meteu a mão.