Informação tóxica

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Quem acessa as redes sociais, principalmente as crianças, precisa tomar cuidado com vídeos que estimulam a compra e o manuseio de produtos com substâncias desconhecidas

O aparentemente inofensivo e ingênuo “faça você mesmo” pode se tornar uma armadilha perigosa. Há vídeos tutoriais na internet que orientam os leigos a fazer qualquer coisa sem levar em consideração o risco do manuseio de produtos e equipamentos e a habilidade de quem está assistindo.

Se a pessoa quer aprender a fazer algo, basta fazer uma busca. Sempre haverá alguém para ensinar. Porém, na selva das redes sociais, há informações irresponsáveis que podem levar a acidentes e causar danos à saúde, principalmente das crianças.

Um caso recente, o slime, que parecia apenas uma brincadeira pueril, se tornou uma febre. Crianças de todas as idades, acompanhadas ou não de adultos, aprenderam a fazer a mistura de cola branca, corante e um ativador para produzir a conhecida e instigante geleca.

Estratégia selvagem

O problema é que o slime contém uma substância tóxica, o bórax ou borato de sódio, usado para dar liga na geleca e que pode causar lesões graves. “É uma substância alcalina, um potente detergente semelhante à soda caustica”, afirma a médica dermatologista Tatiana Gabbi.

Segundo ela, o tempo prolongado de exposição ao bórax durante a produção e a brincadeira pode causar dermatite nas mãos e braços, principalmente em crianças, por terem a pele mais frágil.

A contaminação por ingestão ou inalação também é um problema. Uma criança de doze anos foi internada por uma semana, em São Paulo, apresentando náuseas, vômitos e cólicas abdominais.

Suspeita-se de contaminação por bórax. Em nota, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) diz que a substância “não deve ser manipulada por crianças”. Há também boas propostas nas redes sociais, como a da youtuber Luiza Nery, que faz apresentações explicando os riscos de se fazer o slime usando bórax. “Quando ficamos sabendo que era algo lesivo, passamos a informar que poderia fazer mal”, diz Liz Nery, mãe e empresária de Luiza.

“Trata-se de uma sacada mercadológica. Fazer o seu próprio brinquedo é muito mais prazeroso para a criança do que comprar”, afirma o psicanalista e professor da ESPM, Pedro Luiz de Santi. “Por isso, a intencionalidade de quem passa a informação deve ser levada em consideração”.

Para o especialista, o acesso livre e não intermediado à internet é um risco à saúde física e mental das crianças, mais expostas aos supostos vídeos “instrutivos”. “As empresas aplicam, hoje, uma estratégia selvagem.

Os novos heróis têm de ser humanizados e por isso as empresas usam os influenciadores digitais que, além de mostrar como se faz, têm a segunda intenção de apresentar produtos para serem comercializados”, explica. Como se vê, é sempre bom tomar cuidado com os ensinamentos da internet.

IstoÉ.com.br