Greve geral inócua mostra mais desmobilização contra reforma da Previdência

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Uma paralisação ineficiente, que provocou dor de cabeça para quem trabalha e teve dificuldade ao ir ao trabalho. Para CUT, 45 milhões de trabalhadores aderiram à greve. Na Bahia (foto), por exemplo, fraca mobilização

Por Maurício Nogueira

A greve “geral” convocada pelas centrais sindicais foi um fiasco. Não deu para esconder. Interrupções de vias pontuais com barricadas de pneus em chamas não foram suficientes para paralisação nacional. Nem mesmo o contingente de filiados a sindicatos deu volume ao movimento contra a reforma da Previdência e contingenciamento de recursos para a educação.

A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), a classificou, nesta sexta-feira (14), como um “fiasco”.

“Foi um fiasco. Os ônibus não pararam, metrôs não pararam. O máximo que fizeram foi interromper uma ou outra rodovia para criar uma sensação de que tem muita gente no congestionamento e fazer um barulho aqui acolá”, declarou Hasselmann, após evento na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Em Brasília, a adesão dos rodoviários foi substancial, provocando maior congestionamento no trânsito nos horários de pico. Mas no restante do país, os sindicalistas foram obrigados a montar piquetes para impedir a circulação do transporte coletivo.

Segundo o colunista da Folha, Josias de Sousa, para os sindicalistas foi um movimento que não alterou o rumo da história, em outras palavras.

Para jornalista, nada mudou. E foi além, observou que oposição mostrou que continua “zonza”.

“A reforma da Previdência, alvo central dos atos, segue seu curso no Congresso, rumo à aprovação. Se a algaravia serviu para alguma coisa foi para realçar que a oposição ao governo de Jair Bolsonaro, incluindo o aparato sindical e social que gravita ao redor do PT, continua zonza. O que é uma pena, pois a democracia tende a funcionar melhor quando a oposição tem rumo”, ressaltou ele em sua coluna no UOL.

CUT – A Central Única dos Traballhadores (CUT) divulgou em sua página na internet queem todas as capitais, no Distrito Federal e em mais de 300 cidades brasileiras, trabalhadores e trabalhadoras protestam contra a reforma da Previdência de Jair Bolsonaro (PSL). Pelo menos, 45 milhões de trabalhadores aderiram à greve. Mais de 65 mil trabalhadores cruzaram os braços no ABC paulista.

De acordo com a CUT, desde as primeiras horas da manhã do dia da greve geral pela .aposentadoria, por mais empregos e contra os cortes na educação, aproximadamente 45 milhões de trabalhadores e trabalhadoras foram envolvidos na greve geral, conforme balanço das centrais sindicais.

No início da manhã, motoristas e cobradores de ônibus e trabalhadores dos metrôs de várias capitais cruzaram os braços. Em São Paulo, parte das linhas de ônibus, trens e várias estações do Metrô estão paradas, especialmente nas Zonas Norte e Leste da capital paulista.

O setor de transporte foi o mais afetado pela greve. Em sua maioria categorias representadas pelos principais sindicatos, como professores, motoristas de ônibus, petroleiros funcionários de montadoras de veículos e bancários participaram em maior número na greve.

Segundo a própria CUT, nas capitias de João Pessoa, Curitiba, Maceió, Rio de Janeiro e Salvador, protestos com bloqueio de vias da cidade e saídas dos ônibus das garagens.

No geral, mesmo, o resultado foi frustrante pelo número de trabalhadores filiados aos sindicatos que fomentam as centrais sindicais. Traduzindo, mais uma greve geral que não é geral.