Grátis: Oficinas do Museu Vivo da Memória Candanga dará aulas via internet

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Reconhecido por transmitir os ofícios tradicionais trazidos pelos pioneiros na época da construção da Cidade, o Museu Vivo da Memória Candanga (MCMV) anuncia a retomada de seu calendário letivo.

Os cursos tradicionais de atividades manuais que compõem as famosas “Oficinas do Saber Fazer” ganham uma nova versão.

 

A partir do segundo semestre, as oficinas voltam a funcionar, de modo gradual, com aulas ministradas via internet.

Com as atividades presenciais interrompidas devido ao período de combate à pandemia causada pelo novo coronavírus, os equipamentos e cursos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) buscaram alternativas por meio de atividades on-line, como é o caso do MVMC.

Interação com a comunidade

Nesse sentido, um dos maiores espaços de valorização, resgate e difusão de saberes, responsável por promover a interação entre comunidade, artesãos e agentes culturais, volta a funcionar na modalidade de ensino à distância. As oficinas gratuitas contarão com o apoio dos professores que ministrariam os cursos presenciais do museu.

A primeira oficina a ser lançada será a de “Cartonagem Criativa”, coordenada pela administradora e microempreendedora em negócios sustentáveis, Gizelma Fernandes, com apoio da Fundação Procurador Pedro Jorge, organização sem fins lucrativos, mantenedora do projeto ReCiclo . O curso on-line gratuito ensinará técnicas de encadernação, corte, vinco, revestimento e outros procedimentos com papel artesanal.

Conteúdo programático

O conteúdo programático do curso envolve dados primários, que dão noções sobre a indústria do papel, uma das atividades industriais que convertem extensas áreas com vegetação nativa em monocultura, assim como os impactos econômicos e danos à saúde e ao meio ambiente.

A oficina também se destaca pelo consumo consciente e reciclagem do papel, já que o que iria para o lixo pode se transformar em um artesanato de alto valor agregado.

Segundo a gerente do MVMC, Eliane Falcão, a iniciativa será mais uma possibilidade de continuar o trabalho de resgate dos saberes populares propostos pela história do museu, além de incentivar a interação com as novas tecnologias e possibilidades criativas.

“Nós e a comunidade estamos muito satisfeitos por poder retomar as atividades das oficinas em casa, durante este período de pandemia”.

Para a professora Gizelma Fernandes, além de ensinar a cartonagem criativa – reaproveitando materiais que seriam descartáveis e transformando em utensílios como bloco de notas, caixas decoradas e marcadores -, a oficina de artesanato tem como objetivo proporcionar o contato entre arte e sustentabilidade, estimulando seus alunos a reflexões sobre a utilidade do material reciclado.

“Neste curso, através da metodologia e experiências práticas, possibilitaremos a construção de conhecimentos e valores ecológicos pelo artesanato”, completa.

Empreendedorismo

Gizelma destaca que o curso profissionalizante também dá noções sobre empreendedorismo, precificação e mercado para esse tipo de produto. Ela explica que a cartonagem criativa pode ser explorada de inúmeras formas.

“Podemos transformar uma caixa de sapato em uma peça prática, bonita, que pode ser comercializado por um valor justo, estimulando a reflexão dos alunos, inclusive  sobre a nossa maneira de ser e de estar no mundo”, conta.

De acordo com a bancária Camila Carmo, aluna do curso presencial de cartonagem no Museu Vivo, sua experiência com o artesanato foi além da paixão pelas técnicas manuais. Ela resolveu confeccionar todas as caixas dos convites para os padrinhos do seu casamento. Com a interrupção do curso presencial por conta da pandemia, a aluna pediu que Gizelma a auxiliasse ainda assim a fazer os objetos em casa.

Por meio de uma “Live”, Gizelma ministrou a técnica da caixa de cartonagem, sanando todas as dúvidas e realizando o sonho de Camila. A aluna conseguiu concluir os convites feitos à mão e contou que está ansiosa para a retomada das aulas on-line. “É muito especial saber que um símbolo tão importante do meu casamento foi feito pelas minhas mãos. Quero aprender muito mais e estou ansiosa para o lançamento das aulas on-line”, celebra.

 

Foto: Gizelma Fernandes.