Política não tem interesse em privatizar, segundo Salim Mattar

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O empresário Salim Mattar anunciou nesta quarta-feira (11) a saída da secretaria de Desestatização e Privatizações do governo Jair Bolsonaro. Ele chegou à conclusão que a política não quer as privatizações.

Mattar confirmou a versão do agora ex-chefe, o ministro Paulo Guedes, de que sai por incômodo com o ritmo lento das vendas de empresas pela União, e que a lentidão se deve à classe política, que não teria boa vontade com a desestatização. A afirmação foi feita em entrevista à CNN.

“O fato que aconteceu é como o próprio ministro já disse: Quem dita tudo isso é a política. A política não tem interesse de privatizar, por isso que está lento o processo”, disse o empresário em entrevista ao âncora William Waack e à analista Raquel Landim.

Mattar negou estar “frustrado”, se dizendo satisfeito com as vendas de subsidiárias e empresas coligadas às estatais, que renderam, segundo ele, R$ 150 bilhões aos cofres público. O problema, diz o empresário, foi a dificuldade de se adaptar ao trabalho no setor público, onde, “quando você vai privatizar, mexe no conflito de interesses”.

“O establishment não deseja que aconteça privatizações, então dificulta o processo”, afirma, sem citar nomes.

“O mundo de governo é muito diferente do mundo da iniciativa privada. As lógicas são diferentes, o tempo é diferente. Nós da iniciativa privada normalmente temos dificuldade de nos adaptar ao tempo, à lentidão da burocracia estatal.”

A título de exemplo, ele diz que os Correios poderiam ser vendidos entre 60 e 90 dias, se fossem uma empresa privada, mas que como trata-se de uma estatal, esse prazo sobe para 28 meses.

Apesar da saída, o ex-secretário diz que continua apoiando a equipe econômica. “A primeira coisa é que eu gostaria de deixar claro é que eu estou deixando o governo, mas não estou deixando de apoiar a pauta do presidente Bolsonaro e do ministro Guedes”, afirma