Em tempos de coronavírus, não há como esquecer o Dia Mundial do Enfermeiro

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Por Simone Salles*

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu 2020 como o ano internacional dos profissionais da Enfermagem. A declaração foi aprovada após assembleia realizada em 2019, ou seja, não havia ainda como prever o papel de destaque desses profissionais no cenário presente de pandemia global.

Esse marco comemorativo não podia ser mais justo e pertinente. Hoje, inclusive, comemora-se o Dia Internacional do Enfermeiro (12) e em todo o país se celebra a Semana da Enfermagem.

Embora a maioria dos que atuam no setor acreditem que não há motivos para celebração, mesmo antes do surto mundial de coronavírus, a iniciativa objetiva chamar a atenção para a valorização dos profissionais por meio de melhorias salariais e nas condições de trabalho, além de estimular a criação de novas políticas públicas.

Atualmente, a equipe de enfermagem no Brasil é predominantemente feminina e 59,3% encontram-se no setor público.

Estima-se que a classe já tenha atingido 70% dos profissionais da saúde. Os trabalhadores de nível médio (técnicos e auxiliares) apresentam escolaridade acima da exigida para o desempenho de suas atribuições, 23,8% com nível superior incompleto e 11,7% com curso de graduação concluído.

Esses dados fazem parte do último estudo de destaque sobre a categoria, lançado em 2015 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

A pesquisa, que abrangeu um universo de mais 1,6 milhão de trabalhadores, incluindo enfermeiros, técnicos, auxiliares e aposentados, apontou, já na época, um desgaste emocional e físico em 66% dos entrevistados. Hoje, com certeza, esse número já deve ter chegado a 100%.

Principalmente aqueles que atuam na linha de frente junto aos pacientes presenciam de perto os efeitos da propagação do coronavírus. Muitos já tiveram que desempenhar suas funções com equipamentos de proteção individual improvisados; há os que não podem se aproximar da própria família para não arriscar suas vidas e outros sofreram a perda dos próprios colegas de trabalho.

Segundo o Cofen, já houve 98 óbitos de profissionais de enfermagem por Covid-19 no Brasil e mais de 13 mil enfermeiros contaminados por coronavírus.

Mais recentemente, em abril deste ano, o relatório da OMS intitulado “A situação da Enfermagem no mundo” ressaltou a necessidade de otimizar o escopo de atuação e liderança dos enfermeiros, juntamente com o aumento do investimento em sua educação, treinamento e trabalho.

Segundo dados levantados, O Brasil teve um desempenho sofrível no que se refere às regulações de trabalho. O Cofen espera que o piso salarial nacional e a regulamentação da jornada de trabalho em 30h semanais para os profissionais de Enfermagem sejam aprovados este ano como prova de reconhecimento governamental.

Não é possível que situações como as que são vistas ultimamente, de profissionais deitados em pedaços de papelão no momento do descanso de plantão, rodem o mundo nas redes sociais e nada seja feito. Aplausos da sociedade não bastam. A classe merece trabalhar em condições dignas para conseguir proporcionar um atendimento igualmente digno, seja em tempos de Covid ou não.

*Jornalista, Mestre em Comunicação Pública e Política