sex, 21 fev 2020 05:50
Início Destaque Patrocínio da CEF para clubes chega ao fim

Patrocínio da CEF para clubes chega ao fim

0
54
Compartilhe

 

Fla e Timão receberam 37% dos gastos da Caixa com patrocínio desde 2012. Foram R$ 31,8 milhões, divididos entre “bônus” e patrocínio

 

A Caixa Econômica Federal não renovou contrato de patrocínio com os clubes de futebol para o ano de 2019. Com a decisão, o banco estatal economizou R$ 194,6 milhões em relação aos desembolsos realizados a 26 times com os acordos firmados para 2018.
 

Atual campeão brasileiro e da Libertadores, o Flamengo foi o time que mais recebeu recursos da Caixa em 2018. Foram R$ 31,8 milhões, divididos entre “bônus” e patrocínio. Na sequência aparecem Santos (R$ 17,8 milhões), Cruzeiro (R$ 16,8 milhões) e Atlético Mineiro (R$ 13,1 milhões).

Com contratos vigentes até fevereiro e maio de 2019, Botafogo e Sport foram os únicos clubes que estamparam o patrocínio da Caixa em suas camisas ao longo do ano passado. As informações foram obtidas pelo R7 com base na Lei de Acesso à Informação.

Os cortes de recursos do futebol vão em linha com o que pensa o atual ministro da Economia, Paulo Guedes. Ao empossar o novo presidente do banco estatal, Pedro Guimarães, Guedes afirmou que “é possível fazer coisas cem vezes melhores do que gastar com publicidade em times de futebol”.

Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, a retirada dos patrocínios foi facilitada pela ausência de um relatório para comprovar a quantidade de contas e negócios gerados para torcedores de cada um dos clubes apoiados pelo banco.

“Quanto mais forem comprovados, o retorno de visibilidade e negócios serão sempre muito úteis. A opinião pública vê a Caixa como uma marca já conhecida e que não precisa de exposição. Se fosse assim, a Coca-Cola não investiria mais em publicidade, mas cairia no ostracismo”, analisa Marinho.

Caixa destinou R$ 727 milhões a 35 clubes entre 2012 e 2018

Dede que ingressou no universo do futebol, em 2012, a Caixa desembolsou R$ 726,9 milhões a 35 equipes nacionais. Do montante, 90% (R$ 660 milhões) foram referentes a patrocínio e demais 10% (66,3 milhões) pagos em forma de “bônus”.

Os dois times com as maiores torcidas do Brasil, Flamengo e Corinthians, foram os principais beneficiados e receberam 37% de todos recursos destinados pela Caixa ao futebol no período. Enquanto o rubro-negro embolsou R$ 147,8 milhões (20,3%) com seis contratos, o alvinegro paulista recebeu R$ 121 milhões (16,6%) em quatro acordos firmados.

“Os contratos de patrocínio eram celebrados por período pré-estabelecido ou com base nos campeonatos da série, e não necessariamente vinculados ao ano de exercício”, afirma o banco estatal.

Apesar da interrupção dos patrocínios com o futebol, a Caixa manteve os patrocínios aos esportes olímpicos com repasses ao CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) e às confederações de atletismo, ginástica e basquete.

De acordo com Marinho, a manutenção dos recursos para as delegações mostra “um nível de maturidade financeira” do banco estatal. “Essas outras modalidades sofrem com a visibilidade, sem a força midiática que tem o futebol. O ideal seria que a iniciativa privada incentivasse todos esses esportes”, comenta o professor de marketing esportivo.

Os vínculos com as confederações persistem até este ano em que serão realizados os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos na cidade de Tóquio, no Japão.

Procurada pelo R7 para comentar a estratégia de marketing que motivou o encerramento de vínculo com os clubes de futebol, a Caixa optou por não conceder entrevista para tratar sobre o tema. (R7)