Projeto anticrime deverá ter veto à trecho sobre gravações de áudio

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Se a polícia ou o Ministério Público não souberem previamente, a gravação só poderá ser usada em “matéria de defesa”.

O deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG) afirmou nesta sexta-feira (13) considerar “razoável” um eventual veto do presidente Jair Bolsonaro ao trecho sobre gravações ambientais do projeto anticrime. Andrada relatou a proposta na Câmara dos Deputados.

O texto aprovado pelo Congresso Nacional já foi enviado a Bolsonaro, que poderá sancionar a proposta de forma integral, parcial ou vetá-la totalmente.

Segundo o ministro da Justiça, Sergio Moro, a hipótese de veto integral está “descartada”. Mas, segundo o ministro, Bolsonaro poderá vetar alguns trechos.

Gravações para defesa

O item sobre gravações ambientais define que, se a polícia ou o Ministério Público não souberem previamente, a gravação só poderá ser usada em “matéria de defesa”.

Para Lafayette de Andrada, contudo, a redação “não ficou boa” e será “muito razoável” um eventual veto de Bolsonaro ao trecho.

Segundo ele, a palavra “defesa” não se refere à defesa processual, mas, sim, à “proteção da pessoa”.

“Usou-se a palavra ‘defesa’, mas o espírito é ’em sua proteção’. A redação não ficou boa. Mas era isso, era em proteção da pessoa”, afirmou Andrada.

A gravação ambiental consiste em uma pessoa gravar a própria conversa privada com outra pessoa sem conhecimento da outra.

Atualmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) permite o uso desse tipo de gravação como prova em processo, mas não diferencia defesa e acusação.

“Acho muito razoável [Bolsonaro vetar], acho bem razoável. Acho uma boa”, afirmou. “Qualquer coisa que possa aperfeiçoar, sempre é bem-vindo. Eu não me oponho”, acrescentou.

Outra opção defendida por ele seria o presidente sancionar o texto da forma como está e, depois, o Poder Legislativo analisar um novo projeto de lei para alterar a redação da lei. “Se vetar, fica o buraco. Pode permanecer como está e encaminha um projeto de lei ajustando”, disse.