Lava Jato investiga propina de R$ 50 milhões e benefícios em contratos de R$ 1 bilhão

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Operação Galeria investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em contratos da Transpetro, Belo Monte e construção do empreendimento no Pará, com propina  de aproximadamente R$ 50 milhões e benefícios em contratos de R$ 1 bilhão, segundo MPF.

O filho do ex-senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão, Márcio Lobão, é alvo de uma mandado de prisão preventiva na 65ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF), nesta terça-feira (10).

A ação, batizada de Galeria, investiga os possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro decorrentes do pagamento de vantagens indevidas relacionadas a contratos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, e à Usina Hidroelétrica de Belo Monte, para a construção do empreendimento no Pará. O nome da operação se refere às transações com obras de arte que teriam sido utilizadas na lavagem de recursos.

As investigações apontam que, ao menos entre 2008 e 2014, o ex-ministro e seu filho solicitaram e receberam propinas dos Grupos Estre e Odebrecht  por volta de R$ 50 milhões. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), evidências dão conta de que os atos de lavagem se estendem até 2019.

A operação conta com o apoio do MPF e Receita Federal. Cerca de 70 Policiais Federais e 18 Auditores da Receita Federal cumprem 11 mandados de busca e apreensão e 1 mandado de prisão preventiva nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Contratos de R$ 1 bilhão

Conforme o MPF, além dos crimes de corrupção relativos à participação da Odebrecht no contrato de construção da usina de Belo Monte, objeto de acusação anterior pela força-tarefa Lava Jato, a operação investiga benefícios em mais de 40 contratos, cujo valor chega a cerca de R$ 1 bilhão, celebrados pelas empresas Estre Ambiental, Pollydutos Montagem e Construção, Consórcio NM Dutos e Estaleiro Rio Tietê.

Ainda, de acordo com as investigações, em ambos os esquemas criminosos as provas indicam que as propinas foram entregues em espécie em escritório advocatício ligado à família Lobão, localizado no Rio de Janeiro. Nesse sentido, foram obtidos depoimentos de colaboradores, registros de ligações e reuniões entre os investigados, e registros em sistemas de controle de propinas.

As medidas cautelares cumpridas hoje também objetivam aprofundar possíveis operações de lavagem de dinheiro capitaneadas por Márcio Lobão. O esquema investigado inclui aquisição e e posterior venda de obras de arte com valores sobrevalorizados, simulação de operações de venda de imóvel, simulação de empréstimo com familiar, interposição de terceiros em operações de
compra e venda de obras de arte, e movimentação de valores milionários em contas abertas em nome de empresas offshore no exterior. No período das transações foi possível verificar um incremento em seu patrimônio de mais de R$ 30 milhões.

Por isso, também são alvo dos mandados de busca e apreensão endereços de galeria de arte e de agentes financeiros que atuavam perante bancos, a exemplo do Julius Bär, gerindo contas de
Márcio Lobão no exterior.

Megalavagem 

Para o MPF, as fortes evidências do envolvimento de Márcio Lobão, por longo período, em diversas operações de lavagem de capitais e em crimes de corrupção relacionados a diferentes obras públicas e grupos empresariais, bem como os indicativos de que permanece, ainda em 2019, praticando atos de lavagem de dinheiro, motivaram a decretação da prisão preventiva.

A medida revela-se imprescindível para garantir a ordem pública e econômica, evitando-se a continuidade e a reiteração criminosa, bem como para garantir a aplicação da lei penal. O preso será conduzido para a Superintendência Regional de Polícia Federal, em Curitiba.

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil