Coordenadora da Lava Jato-SP diz que “Metralha” recebeu “uma vida” em propinas

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A coordenadora da Força-Tarefa da Lava Jato em São Paulo e procuradora da República, Anamara Osório Silva, disse, nesta terça-feira (10), que o irmão do ex-presidente Lula, Frei Chico, recebeu “uma vida” em propinas mesmo depois de ter parado de prestar serviços à Odebretch. Em entrevista à Jovem Pan, ela explicou que, de acordo com a denúncia feita aos irmãos pelo Ministério Público Federal (MPF) ontem (9), a relação de ambos com a empreiteira é antiga.

Segundo a procuradora, nessa época, Frei Chico foi contratado para construir um diálogo. O problema é que os pagamentos para ele continuaram até 2015, mesmo muito depois de seus serviços terem terminado.

“O pagamento para o Chico começou em 1990 e se estendeu até 2015. Estamos falando de em três décadas de pagamento de propina, uma vida em pagamento de propina. Quando Lula assumiu a presidência, em 2002, a Odebrecht já tinha conquistado seu lugar, a resistência às desestatizações já tinham terminado, mas os pagamentos continuaram”, conta.

“A partir daí, o Marcelo Odebrecht continua essa relação através do pagamento dessas propinas, mas a forma de pagamento muda. Não existe mais nenhum serviço prestado por Frei Chico, então os repasses começam a ser feitos em dinheiro, em espécie, em especial em restaurantes e através do Sistema de Operações Estruturadas [conhecidamente usados para repasses e corrupção] da Odebrecht”, explica.

Silva ressalta que, a partir deste momento, o irmão de Lula ganhou até um codinome no sistema da empresa: Metralha.

De acordo com a coordenadora da Lava Jato, não existe, por parte da defesa, nenhuma comprovação de que continuou existindo qualquer tipo de prestação de serviços por parte de Frei Chico para a empresa. Dessa forma, nada justifica o pagamento, “por três décadas, de R$ 3 mil a partir de 2002, passando para R$ 5 mil até 2015.”

Ela enfatiza, ainda, que o valor pouco importa. “Não importa o montante que se tome, pouco interessa. O que interessa é que se alimentem do sistema, que o agente público ganhe do sistema para sua família, para seu irmão, para quem for, que sustente quem lhe interessar. O uso desse montante, ainda, por décadas, é muito sério. É muito sério termos um sistema contaminado dessa maneira”, finaliza.