Nociceptina: a nova fronteira no combate à obesidade

0
3946
Compartilhe

Neurotransmissor estimula o desejo de exagerar na hora de comer alimentos calóricos

Quando você está saboreando um alimento especialmente gostoso, tende a comer além do que seria necessário para repor suas necessidades energéticas. Antes que você se sinta culpado pela falta de controle, saiba que está apenas obedecendo ordens emanadas do seu cérebro, por meio de um circuito recentemente descoberto.

Cientistas da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriram no ser humano e em outros mamíferos a existência de um circuito cerebral que conecta a área onde as emoções são processadas à região que controla o apetite. Acredita-se que o sentido evolutivo desta conexão seja exatamente o de garantir que, uma vez diante de um alimento altamente palatável, você tenha estímulo para comer o máximo possível, acumulando calorias preciosas num ambiente onde você nunca tem certeza de quando vai encontrar sua próxima refeição.

Desnecessário dizer que, num ambiente abundante de alimentos processados e ricos em calorias, o funcionamento desta via cerebral é um facilitador do desenvolvimento da obesidade e de suas consequências, tais como hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer.

Nociceptina

Nas últimas décadas, a ciência tratou de combater a obesidade criando medicações que atuam inibindo o apetite que regula a chamada alimentação homeostática, ou seja, a alimentação de reposição dos estoques de energia gastos nas atividades diárias. O aumento global na prevalência de obesidade mostra o insucesso desta abordagem.

A descoberta do circuito cerebral que regula a alimentação hedônica (motivada pelo prazer) e de seu neurotransmissor, a nociceptina, abre a possibilidade de um combate mais eficaz contra a obesidade.

Estudos em animais de experimentação nos quais a nociceptina é inibida revelam que estes perdem peso mesmo quando têm acesso a alimentos saborosos e hipercalóricos. A alimentação de ração normal (alimentação homeostática) destes animais não é afetada.

Outros cientistas estudam o efeito da inibição da nociceptina na dependência química às drogas e em outros distúrbios do comportamento mediados em parte pelas mesmas vias envolvidas na alimentação hedônica.

Os estudos em seres humanos ainda estão no início, mas trazem a esperança de que resultem em tratamentos mais eficazes que os disponíveis atualmente.

Referencia: Hardaway, J. A., Halladay, L. R., Mazzone, C. M., Pati, D., Bloodgood, D. W., Kim, M., … Kash, T. L. (2019). Central Amygdala Prepronociceptin-Expressing Neurons Mediate Palatable Food Consumption and Reward. Neuron, 0(0). https://doi.org/10.1016/j.neuron.2019.03.037

 

Quem faz Letra de Médico

Adilson Costa, dermatologista
Adriana Vilarinho, dermatologista
Ana Claudia Arantes, geriatra
Antonio Carlos do Nascimento, endocrinologista
Antônio Frasson, mastologista
Arthur Cukiert, neurologista
Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião
Bernardo Garicochea, oncologista
Claudia Cozer Kalil, endocrinologista
Claudio Lottenberg, oftalmologista
Daniel Magnoni, nutrólogo
David Uip, infectologista
Edson Borges, especialista em reprodução assistida

Eduardo Rauen, nutrólogo
Fernando Maluf, oncologista
Freddy Eliaschewitz, endocrinologista
Jardis Volpi, dermatologista
José Alexandre Crippa, psiquiatra
Ludhmila Hajjar, intensivista
Luiz Rohde, psiquiatra
Luiz Kowalski, oncologista
Marcus Vinicius Bolivar Malachias, cardiologista
Marianne Pinotti, ginecologista
Mauro Fisberg, pediatra
Roberto Kalil, cardiologista
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra
Salmo Raskin, geneticista
Sergio Podgaec, ginecologista