Por que pessoas jovens infartam?

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Na noite da última quarta-feira, Danilo Feliciano de Moraes, filho mais velho do ex-lateral Cafu, foi vítima de infarto aos 30 anos.

 

Doenças cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio, costumam ser problemas de saúde que afetam pessoas mais velhas. No entanto, a morte do filho mais velho do ex-lateral direito Cafu levantou dúvidas sobre o assunto. Danilo Feliciano de Moraes tinha 30 anos e morreu na noite da última quarta-feira vítima de um infarto. Ele estava jogando futebol na casa da família em Alphaville, bairro de Barueri, na Grande São Paulo, quando começou a se sentir mal. Ele foi socorrido por amigos e familiares e encaminhado para um hospital da região, onde sofreu uma parada cardíaca a qual não resistiu.

“O futebol é um esporte que exige muito do organismo. O corpo precisa estar condicionado para suportar essa exigência. Mas pessoas sedentárias que jogam apenas aquele ‘futebolzinho de final de semana’ não têm condicionamento físico adequado para lidar com a pressão e isso pode potencializar problemas no coração. Mesmo nos mais jovens”, explica Felipe Folco, diretor médico da Cia. da Consulta.

O especialista esclarece que o infarto não é comum nesta idade, mas já existem alguns casos de mortes de pessoas jovens por causa de infarto, especialmente na prática esportiva não profissional. Estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, mostrou que homens que jogam apenas uma vez por semana e não fazem outra atividade física estão mais propensos a apresentar problemas cardíacos, pois eles não tem preparo físico para realizar esse tipo de atividade.

Por este motivo, Folco ressalta a necessidade de se exercitar mediante autorização e acompanhamento médico, além de ter sempre a presença de um educador físico para orientar a prática. Outro ponto destacado por ele é a importância de manter hábitos saudáveis, focando em uma alimentação equilibrada com baixo consumo de gordura.

Dúvidas

A cardiologista Lucy Tiemi Terashima, da Cia. da Consulta, esclarecer algumas dúvidas sobre as causas e riscos do infarto. Confira.

– Quais são os sintomas do infarto? Todo mundo associa o infarto a uma dor forte no peito, mas não é o único sintoma. O paciente costuma sentir algum desconforto ou dor, mas muitas pessoas podem confundir com dor nas costas ou queimação no estômago. Outros sintomas, como dor no braço esquerdo ou que sobe do peito para o queixo, e sudorese são sintomas que também acompanham geralmente o infarto.

As exceções são pessoas diabéticas e mulheres, pois nestes grupos as manifestações do problema são atípicas. Por isso é importante manter visitas regulares ao cardiologista, mesmo quem não apresenta qualquer sintoma, pois as doenças coronarianas inicialmente são assintomáticas e podem ocorrer de forma súbita.

– O que pode causar infarto em pessoas jovens? Já na infância pode ocorrer acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos. Se não houver mudança no estilo de vida, com o decorrer dos anos podem surgir placas de ateromas – as famosas placas de gordura -, que podem resultar em infarto.

– E o infarto fulminante? Cerca de 2/3 dos infartos acontecem devido a placas de ateromas mais finas e, portanto, mais vulneráveis à ruptura. Em pessoas mais velhas, essas placas são mais antigas e mais estáveis. Essa estabilidade ocorre porque formam-se vasos sanguíneos colaterais que ajudam a garantir que não faltará irrigação na área afetada pela placa. O coração mais jovem não teve este tempo hábil para formar esses vasos “extras”, o que aumenta o risco de infartos fulminantes, que são repentinos e podem levar à morte.

– É comum ter uma parada cardiorrespiratória depois do infarto? Geralmente pacientes que infartam rapidamente evoluem para quadros desse tipo.

– A quais sinais devemos ficar atentos? Alguns sintomas podem demonstrar que o coração não está bem, como fadiga depois de exercícios aeróbicos, falta de ar e batimentos cardíacos disparados sem motivo aparente.

– O infarto em pessoas jovem pode ter outras causas? Sim. Algumas alterações congênitas na anatomia da irrigação sanguínea do coração podem causar infarto. Além disso, doenças genéticas podem levar à morte súbita através de arritmias, mesmo quando o paciente não apresenta sintomas. (Veja)