“Força-tarefa” contra a dengue e companhia tem reforço de 60 caminhonetes no DF

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Por Maurício Nogueira

Osney Okumoto ressalta importância das ações conjuntas envolvendo órgãos do governo, administrações regionais e população

O secretário de Saúde do Distrito Federal, Osney Okumoto, apresentou nesta terça-feira (14), as estratégias da “força-tarefa” com ações para combater doenças arboviroses, Dengue, Zika, Chikungunya, Malária entre outras no Distrito Federal, em com coletiva à imprensa no Palácio do Buriti. Entre as diretrizes, ações conjuntas entre órgãos governamentais, administrações regionais e população em importantes parcerias. Além do reforço de 60 caminhonetes para a logística das ações no combate ao mosquito aedes aegypti.

Durante explanação sobre o cenário epidemiológico no Distrito Federal, Okumoto divulgou que em 2017 foram registrados 3.971 casos contra 2.351 em 2018, uma queda de 40% dos casos prováveis.

Okumoto frisou que o período atual é sazonal e com grande índice de infestação do aedes aegypti, assim como as notificações relativas à dengue, chikugunya e a zica.

Ele lembrou que o aedes já foi erradicado há muitos anos, mas retornou, causando grandes danos à sociedade. “Como foi observada a ação do zica vírus no Nordeste, onde teve vários casos de microcefalia”, ressaltou ele.

“As mortes acontecem no país inteiro e cabe a todos nós relativos à saúde e estarmos, posteriormente, diagnosticando as mortes para que a gente possa mostrar para a sociedade o perigo que é a transmissão dessas arboviroses para todas as pessoas do país”, sublinhou Okumoto. Os ingredientes como forte calor e a chuva, que não se observam na região Sul do país, são  significativos para proliferação maior dessas doenças.

O secretário exemplificou que os casos prováveis, citados no início do texto, são caracterizados pela ida do paciente a postos de atendimento, notificados pelo médico, com encaminhamento para realização de exames. E posterior confirmação que é dada pelo laboratório central do Distrito Federal.

Retrospecto revelador

Sim, houve queda de 40% de casos prováveis porque em 2017 foram registrados 3.971 casos contra 2.351 em 2018. No entanto, segundo dados divulgados pelo secretário da Saúde, em determinados locais do DF, há aumento de incidência de doenças arboviroses. Em 2018 um aumento de 60% de imóveis positivos em relação a 2013.

“Fizemos um retrospecto de 2013 até 2018 onde a gente encontra esse quantitativo. Essa diferença a gente observou que a partir da semana epidemiológica 44, no início de novembro do final do ano passado, a gente já tinha epidemias aqui no Distrito Federal”, explicou.

Segundo Okumoto, a variação ocorre em decorrência da sub-notificação. Ou seja, houve os atendimentos nos distritos e isso não foi repassado, diretamente, para a secretaria de Saúde em tempo. “Essa subnotificação é o que determina essa diferença nessa variação.”

De acordo com o secretário, o que pode ter acontecido em decorrência de férias de alguns funcionários relacionados nesses pontos específicos do DF, houve casos de pacientes que já eram imunizados pelo vírus 1 e pelo vírus 2. “Mais comuns na região e que, na verdade, eles não tiveram a dengue 1 e a dengue 2 por já possuírem esses anticorpos que são característicos, principalmente, nessa região Centro-Oeste.”

Vale lembrar, segundo o médico titular da secretaria de Saúde, que o aumento de 60% de imóveis com incidência da doença se deve à questão dos cuidados que são necessários para evitar a disseminação do aedes por parte da população. Tais como limpeza das casas, terrenos, evitando-se acúmulo de lixo, de água empoçada, que favorecem a proliferação do aedes.

“Esse trabalho conjunto, que nós temos com os bombeiros e também com a secretaria de Cidades, nos possibilita que a gente venha, através dessa fusão de ações, mobilizar ações suficientes necessárias para atender a nossa população”, ressaltou o secretário da Saúde.

Cidades prioritárias

Em relação às cidades prioritárias, demonstradas por Okumoto, foram elencadas São Sebastião, Paranoá, Itapoã, Samambaia, Estrutural, Recando das Emas, Lago Norte, Lago Sul e Candangolândia.

Nas ações que já foram empregadas nessa região foram utilizadas nebulizações em Ultra Baixo Volume (UBV) pesado, Malatiol, como principal arboricida, encaminhado e distribuído pelo Ministério da Saúde, o qual foi aplicado no Distrito Federal, segundo o secretário.

A outra ação foi com o Piriparoxifeno, herbicida importante aplicado nessas regiões. “Quando se fala em São Sebastião até Candangolândia, que estão listados, são todos os locais onde nós tivemos notificações através do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan). Utilizando herbicidas e larvicidas, e com ações programadas na questão da sensibilização e mobilização da população e no manejo ambiental” disse o secretário.

De acordo com Okumoto, estão envolvidos 360 agentes de vigilância ambiental da secretaria de Saúde do Distrito Federal. Esses agentes têm realizado em torno de 18 visitas a imóveis por dia. “Temos 400 militares dos bombeiros dentre esses estarão sempre aos sábados nesse total fazendo esse trabalho. Nos dias de semana será uma quantidade menor, mas também com efetivo muito grande com relação em somatória com os nossos 360 agentes”, completou ele.

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU),  Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesip), as Administrações Regionais, cuja presença dessas últimas recebeu o agradecimento do Okumoto, para compreensão do trabalho conjunto, além da Casa Civil, Secretaria de Educação e a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), além do Corpo de Bombeiros são os órgãos envolvidos nas ações de combate às doenças.

População participa

O secretário da Saúde destacou também que a população precisa entender que se trata de uma mobilização conjunta havendo sempre a necessidade de estarmos alertando quanto à sensibilização a sociedade para que a se possa ter a ação com maior efetividade.

Okumoto lembrou que sua experiência no Ministério da Saúde detectou que havia maior sensibilização mediante casos com mortes. “Não é isso que a gente quer demonstrar no Distrito Federal. A gente quer demonstrar que trabalhando sempre com a prevenção existe essa importância de que a gente possa educar a população e através da comunicação demonstrar que a gente pode ter resultados excelentes”, salientou ele.

Planejamento de manejo

Em relação ao planejamento de manejo ambiental de janeiro de 2019, foram listadas as localidades Ceilândia, Ceilândia Sul, São Sebastião, Gama setor Sul, Recanto das Emas, Taguatinga, Águas Claras, Samambaia, Vicente Pires, Planaltina, Riacho Fundo, Estrutural, Varjão e Guará 2, que sofrerão sensibilização e mobilização de 08/01 a 11/01. E o recolhimento de inservíveis, tomando como exemplo Ceilândia, a ação ocorre de 10/01 a 12/01.

O cronograma é fundamental para que o trabalho ocorra com os administradores das regionais juntamente com a população de cada região. De acordo ainda com Okumoto, a Secretaria de Comunicação realizará a divulgação. Para a efetivação do trabalho com educação e saúde, para que se possa demonstrar, ao fim desse tempo de sazonalidade, que “tivemos resultados excelentes aqui no Distrito Federal, mesmo sabendo que a gente tem uma demanda importante e preocupante em relação às notificações que já aconteceram”.

Papel dos administradores

O secretário de Cidades, Gustavo Aires, reforçou que nas ações os administradores regionais estejam participando com a população.

“Os administradores têm que ir para a rua, bater de casa em casa. Às vezes, quando o agente tiver uma dificuldade, não encontrar o morador eles por estarem vivendo na cidade busquem uma melhor forma para que a gente tenha uma melhor solução para essas questões do combate à dengue”, complementou.

“Prefeitos”

Aires disse que classifica os administradores como “prefeitos” porque eles têm contato direto com a população. “Sejam os prefeitos das suas Regiões Administrativas. E desde a nomeação deles tenho acompanhado, têm trabalhado dia e noite e mesmo empenho que vocês têm demonstrado eu peço a todos vocês em relação ao combate ao mosquito da dengue.”

“Então, é isso que eu tenho a passar para vocês. A operação está fluindo, vai começar. Eu peço que os administradores fiquem em contato com as equipes vejam o que estão precisando e auxiliem todos eles para que a gente tenha uma efetividade melhor”, concluiu Aires.

Uso de drones

Já o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Coronel Emilson Santos, informou que serão utilizados drones para detectar em residências fechadas a existência de focos dos mosquitos. Inclusive já utilizados em outros estados.

Santos lembrou que está tramitando uma legislação para o uso do dispositivo comandado por controle remoto para sobrevoar as residências e terremos fechados.

“Às vezes a gente tem a necessidade de pular o muro ou coisa parecida e aí a gente pode evitar com o uso de tecnologia e de repente aquela casa não oferece nenhum risco e se oferecer a gente vai usar de outros meios para adentrar”, exemplificou o coronel.

Antes de concluir, Santos lembrou problemas com o uniforme, que provocou alguns problemas no passado. “De pessoas chamarem a polícia para o Corpo de Bombeiro, achando que era alguém usando a farda que queria adentrar a casa. Somos nós, nós somos treinados pela secretaria, nós somos integrados para fazer essa operação e vai dar tudo certo”, complementou ele.

Prevenção é ponto focal

“O lema do Corpo Bombeiros é trabalho com prevenção. O secretário (de Saúde) deixou bem claro que Brasília tem essa eficácia no combate à dengue devido à prevenção. Essa prevenção é o ponto focal do nosso trabalho”, frisou Santos.

Representando o Ministério da Saúde, o coordenador nacional de Programas de Dengue, Zika, Chikungunya e Malária, Divino Valero Martins, afirmou que o controle das doenças arboviroses é uma realidade mundial.

“Semana passada eu estive em Buenos Aires, a gente está com epidemia em Buenos Aires de dengue. Existe um processo de adaptabilidade epidemiológica do vetor nas Américas, em especial até nos Estados Unidos, na Flórida, estamos com 17 casos”, revelou Divino.

Segundo o coordenador nacional, o vírus é “um ser vivo e inteligente” e que ao longo do tempo vem se adaptando. “O Brasil já tem 115 anos de história de combate de vetor e até hoje nós não conseguimos achar a fórmula mágica para poder fazê-lo”, alertou Divino.

Número de imóveis crescente

O coordenador nacional manifestou a preocupação com o crescente aumento do número de imóveis e um decrescente número de agentes sanitários.

“É incompatível, pitagoricamente falando, fica difícil se fazer uma vigilância nessas condições, aí é importante estarmos inovando, buscando alternativas de controle, não existe uma receita de bolo para esse trabalho”, realçou Divino.

Explosão epidêmica

Em fevereiro começa a explodir os grandes processos epidêmicos, segundo o representante do Ministério da Saúde. O Rio de Janeiro já está em plena atividade epidêmica. “Estamos com problema no Rio com chikungunya, zica, vírus e dengue. Rio Grande do Norte a mesma coisa, Bahia, Acre e Minas Gerais.”

“Ninguém está totalmente seguro”

O período de férias é agravante para a disseminação das doenças. “É normal o cidadão sair, viajar”, disse Divino.

Segundo ele, os casos explodem no mês de fevereiro, coincidentemente no período de férias. “Você vai para o carnaval no Rio, Bahia, vai para outros estados adquire a doença lá. Ela fica incubada entre cinco a dez dias, quando você retorna, você sai do estado ágil de infectado para infectante e aí começa a explodir o número de casos. Se contém isso na medida em que a gente contém a população de mosquitos. Por isso é importante esses dados para se saber qual é a área com a maior probabilidade de expansão da doença”, sublinhou.

Do total dos 5.569 municípios, a presença do vetor é verificada em 5.270. Ou seja, ninguém está totalmente seguro. “Não basta dizer que aqui é tranquilo porque não tem, porque o status de não ter para ter é uma linha tênue, muito fina e até perigosa, até pelas condições sócio-econômicas da população do Distrito Federal, o risco de viagem permanente”, assevera Divino.

O Ministério da Saúde vem apoiando, liberando recursos tanto materiais quanto insumos. “Adquirimos mil caminhonetes para a Campanha da Dengue. O Distrito Federal recebeu na planilha 60 caminhonetes, das quais serão distribuídas dentro de um plano estratégico para subsidiar as ações do Corpo de Bombeiros, dos agentes e das administrações Regionais. Além da visita do manejo, uma das fases é controle de mosquitos. E essa requer logística para concretização.”

“Quando a gente fez essa liberação para o Distrito Federal também o fez na preocupação especial, primeiro porque somos a capital do Brasil e segundo porque qualquer coisa que acontece aqui vira uma repercussão nacional. Terceiro pela nossa responsabilidade com a sociedade e também com o apoio da secretaria de Saúde pelos profissionais que tem e pela seriedade com que são conduzidas as ações no Distrito Federal.

Risco histórico no DF

Divino chamou a atenção para o maior risco histórico epidemiológico do Distrito Federal que são as cidades do entorno. “Historicamente, todos os processos epidêmicos que ocorreram no Distrito Federal tiveram início em áreas que fazem perímetro de divisa com cidades do Distrito Federal. Exemplo, a maior epidemia do DF de 2016 começou no povoado chamado Vendinha, do lado de Brazlândia”, disse ele. Acrescentou que é importante o monitoramento de qual é o status atual dessas cidades do entorno, promover os bloqueios necessários e intensificar as ações não só de vigilância, mas como de implementação, assistência ao paciente.

“É importante termos em mente que saúde pública é feita com o público, com a participação de todos independente da formação, do cargo, ou da função, cada cidadão deva ser um agente no seu próprio ambiente. Assim nós venceremos esse grande problema”, concluiu Divino.

Ajuste nas propagandas

Durante a abertura para as indagações dos jornalistas o Tudo Ok Notícias quis saber de Okumoto se haverá um cuidado maior na divulgação da campanha de combate ao aedes, nesta oportunidade. As peças publicitárias não foram eficientes como deveriam no tocante ao convencimento do público-alvo da importância de se combater o mosquito nas campanhas anteriores.

Okumoto, que foi secretário de Vigilância e Saúde no ministério, contou sua experiência citando a campanha de vacinação como exemplo.

“As ações que eram realizadas nesse sentido de combate ao aedes aegypti ou em qualquer tipo de campanha como de vacinação a gente tinha uma utilização da comunicação, que não atingia a parte mais sentimental da população. Como era muito seguido e o mesmo tipo de abordagem as pessoas não prestavam atenção no conteúdo”, contou ele.

O então secretário de Vigilância afirmou que a partir do momento que na comunicação das campanhas de vacinação foi demonstrado o paciente com poliomielite, com sarampo muito grave que iam a óbito ou que “tinham sequelas muito graves, as pessoas correram e nós conseguimos mais de 95% da vacinação. Aqui não é diferente”.

Ele também lembrou que a questão da comunicação foi abordada na primeira reunião com o governador Ibaneis Rocha. “Nós precisamos realmente trabalhar a questão da comunicação dentro do Distrito Federal, assim como a gente vinha fazendo no Ministério da Saúde para que a gente possa, através da educação e saúde alcançar os nossos objetivos fazendo a sensibilização da população e podendo obter os resultados que a gente quer”, ressaltou Okumoto.